A era do trabalho 3.0

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Os jovens talentos estão dando o cartão vermelho para um ambiente de trabalho com hierarquias

 

Trabalhar de forma independente, sem chefes, hierarquias e regras preestabelecidas. Essa é uma das características dos millennials, também conhecidos como geração Y. Não por acaso, especialistas alertam que esses profissionais tendem a ficar menos tempo no trabalho e a terem anseios de empreender.

De olho nessa tendência, algumas plataformas e empresas já se conectaram à nova era. A crescente moda da economia compartilhada e de investimentos em crowdfunding sugerem que os tempos mudaram e que temos de nos moldar a essas mudanças. É nesse pensamento que a Thumbtack aposta. A plataforma oferece todo tipo de profissionais: de cerimonialistas de casamento a programadores de software.

Com sede em São Francisco (EUA), a Thumbtack compete na briga por talentos contra as empresas do Vale do Silício. E pasmem! Está levando ligeira vantagem na briga. Muitos talentos dessas empresas estão migrando para a plataforma. Em vez de ganhar altos salários, bônus e outras regalias, esses profissionais optaram pelo mundo free-lance. Eles passaram a ter clientes, não chefes.

Nos Estados Unidos, por exemplo, mais de 53 milhões de americanos realizam algum tipo de trabalho independente, de acordo com a Freelancers Union. Já na Europa, um em cada quatro trabalhadores atua da mesma maneira. Em 2013, o Velho Continente gastou mais de um bilhão de dólares com contratações freelances. Este valor deverá aumentar para US$5 bilhões nos próximos anos, segundo um estudo da Staffing Industry Analysts (SIA). No Brasil, não é diferente. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mais de 4,1 milhões de pessoas trabalham em casa.

“O desenvolvimento de novas tecnologias, a crise econômica dos últimos anos e as características da geração que compõe a nova força de trabalho são alguns dos elementos que moldam as principais inovações em relação ao capital humano no mercado de trabalho”, relata Sergio M. Baiges, CEO da Prolancer, comunidade de profissionais liberais.

Para o executivo, esta nova forma de atuação vem evoluindo simultaneamente com a internet e se transformou numa resposta às mudanças rápidas da economia global do trabalho. “Chamamos essa era de Trabalho 3.0”, diz. Diferentemente da contratação tradicional, o Trabalho 3.0 evidencia uma relação laboral muito mais flexível e econômica.

“Nesta reorganização do ambiente de trabalho, a empresa pode decidir por uma contratação mais versátil, barata, menos burocrática e que se adapte às necessidades específicas”, sublinha. Segundo um estudo realizado pela Prolancer, diversas companhias têm conseguido economizar até 40% das despesas mensais com a utilização de mão de obra free-lancer de qualidade.

Para Baiges, esta nova forma de trabalho é voltada às expectativas dos empregadores, já que atende as necessidades de prazo e custo sem a exigência de um contrato tradicional. “A base está em ferramentas de controle e na confiança entre as partes.” Essa dinâmica, completa o executivo, permite ainda que os profissionais possam provar sua experiência em alguma especialidade, proporcionando retenção de clientes e o encontro de outros em potencial, garantindo grande sucesso profissional.

Segredos para contratar um free-lancer
Pode ser uma nova era do trabalho, contudo, a seleção de um profissional free-lancer também deve ser tão cuidadosa como a de um colaborador.  Embora os free-lancers possam oferecer soluções de baixo custo, muitas vezes é difícil encontrar um bom candidato. A busca por um profissional independente pode ser um desafio. Para ajudar nessa questão, Sebastián Siseles, diretor internacional da plataforma Freelancer.com, separou três dicas para selecionar os trabalhadores independentes.

1. Trace um planejamento sobre o que é necessário
Nenhum projeto deve ser iniciado sem um plano de negócios bem formulado. “Free-lancers não são mágicos ou videntes. Eles não podem ler sua mente e não há nenhuma pessoa que possa traduzir sua ideia em algumas linhas”, afirma Siseles. Portanto, os melhores produtos e serviços são construídos depois de um período de qualificação, planejamento estratégico e definição das funções. “Caso contrário, você e o free-lancer acabarão perdendo tempo e dinheiro.”

2. Reserve o tempo para selecionar as pessoas certas e estabelecer uma boa relação de trabalho
Depois de criar um plano que seja capaz de determinar exatamente do que você precisa, é necessário encontrar a pessoa certa. Uma recomendação é investir no uso de ferramentas em uma única plataforma. “Caso deseje gerenciar o processo sozinho, leve em conta que a publicação de um projeto irá gerar um grande interesse e haverá dezenas de profissionais dizendo que são a melhor escolha”, alerta.  Para Siseles, é preciso tratar a contratação de um free-lancer como a de um colaborador permanente da equipe.
No entanto, é importante analisar alguns pontos: ele leu o briefing do projeto? Tem experiência anterior em projetos semelhantes ao que você precisa? Possui referências? E quais são os comentários e a reputação dentro da plataforma sobre o profissional?

3. Mantenha uma comunicação aberta
“Nunca tenha medo de dizer o que está ou não funcionando bem. Faça avaliações diárias para verificar se o trabalho está fluindo”, recomenda. Ele completa: caso seja necessário mudar o profissional, tome essa decisão o quanto antes para não interferir no resultado final.
Ao mesmo tempo, escute o profissional independente e o trate como qualquer outro membro da equipe. “Um bom free-lancer pode adicionar mais à sua ideia e ajudar a construir um grande produto ou serviço”, finaliza.

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