A prática da felicidade integral e como construir isso de forma sustentável

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A despeito daquilo que as pessoas escolhem acreditar, todos temos um enorme potencial para a felicidade. Podemos usufruir uma vida verdadeiramente feliz com um simples sistema de prática da felicidade. Entretanto, é preciso ter foco, porque só podemos ser felizes agora. Isso significa praticar a consciência diária, que começa pela compreensão dos ingredientes da felicidade.

A prática da felicidade integral e como construir isso de forma sustentávelO positivismo do filósofo francês Auguste Comte dizia que a felicidade seria baseada no altruísmo e na solidariedade entre todo o gênero humano, formando a chamada “religião da humanidade”. Matthieu Ricard, monge budista e profundo estudioso do tema, afirma também que o caminho para a felicidade passa pelo altruísmo.

E o que é altruísmo? É o desejo de que o outro seja feliz e encontre a causa da felicidade. O altruísmo, segundo Ricard, vai além da empatia, que é a ressonância afetiva ou a ressonância cognitiva que nos diz se uma pessoa está feliz ou se ela sofre. Ele diz que a empatia por si só não é suficiente para alcançar a felicidade. Se você se confronta sempre com o sofrimento, pode sentir angústia empática e estresse, por isso você precisa de um âmbito maior de bondade. Os circuitos cerebrais da empatia e bondade são diferentes.

Marilyn Atkinson, Ph.D. em Psicologia e adepta da psicologia positivista, diz que a felicidade se constrói a partir da prática do foco em quatro quadrantes:

QI (intenção): felicidade como resultado de uma vida criativa intencional.
QE (eu): felicidade como resultado da realização de coisas no mundo físico.
QO (outro): felicidade criada por apoiar os outros e conectar-se profundamente com a comunidade.
QN (nós): felicidade como resultado de estar grato pela vida e por descobrir um sentido profundo.

A pesquisa sobre o cérebro com imagens produzidas por tomografia computadorizada mostra claramente que as pessoas desenvolvem novas estruturas e funções cerebrais em qualquer idade. Podemos, portanto, aprender a celebrar em cada uma dessas áreas fundamentais e, a partir daí, ligá-las e nos movermos entre elas diariamente. Se você se concentrar em apenas um ou dois quadrantes terá a felicidade como resultado, mas não será a felicidade sustentável. Explicando melhor os quadrantes:

QI: intencional/criativo: propósito. A felicidade criativa é experimentada individualmente como uma série de momentos que são a expressão do propósito de sua vida. Para aqueles que se engajam apenas nessa variante de felicidade, o flow de ideias pode ser tão envolvente que nos impede de sermos produtivos ou conectados à vida de outras maneiras. Para evitar isso, é importante focar os demais quadrantes.

QE: foco em resultados: realização. Você pode mirar a felicidade como uma forma de trabalho no nível físico, isto é, ficar feliz por atingir um resultado específico. Mas focar apenas nesse quadrante nos torna felizes por pouco tempo.

QO: foco social: experiência compartilhada. Você pode alcançar a felicidade ao se engajar com os outros, colaborando com um propósito compartilhado. Isso é felicidade social. No entanto, esta pode ser rapidamente esquecida e, então, a experiência é de felicidade perdida, especialmente se você considerar que o resultado é a felicidade deles, não necessariamente a sua. Mas acrescentar mais felicidade social a sua vida pode alterar o valor dos momentos felizes. Você se conecta por meio de um dar e receber recíproco.

QN: foco espiritual: legado. A busca pela felicidade pode acontecer ao desenvolver um foco na gratidão pela vida e ao contribuir para a viabilidade da comunidade. Esse é o reino da felicidade espiritual. Você pode simplesmente passar por ela, mal celebrando o poder de suas ações, porém, quando ela se torna sistêmica, organizamos e encontramos possibilidades futuras para as outras três formas de felicidade. Visualizamos e plantamos o pomar com as futuras gerações em mente.

Para construir a felicidade sustentável é preciso criar um hábito diário de focar os quatro quadrantes como uma prática de vida. Felizmente, podemos fazer isso a qualquer momento da vida. Ao relacionar todos esses quadrantes ou felicidades, usamos nossas capacidades integradoras do cérebro inteiro plenamente desenvolvido. Podemos praticar o profundo altruísmo.

Iaci Rios, sócia-fundadora da IMR – Coaching & Development e diretora do Erickson College Brasil

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