Apertando os cintos

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Beleza cara: alto custo de produtos importados e condições de segurança colocam Luanda no topo do ranking

Instabilidade dos mercados imobiliários e a inflação de bens e serviços. Esses foram os fatores que mais afetaram o custo de vida para fazer negócios ao redor do mundo segundo a Pesquisa de custo de vida de 2015, da consultoria de recursos humanos Mercer. Pelo terceiro ano consecutivo, Luanda continua como a cidade mais cara do mundo para expatriados. A capital da Angola aparece no primeiro lugar do ranking por conta dos altos custos de produtos importados e de condições de segurança de vida, mesmo reconhecida como uma cidade relativamente barata para se viver. Apesar disso, são as cidades asiáticas e europeias que lideram a lista. Em segundo lugar, está Hong Kong, seguida por Zurique, Cingapura e Genebra.  

Para chegar ao ranking, os custos de mais de 200 itens como moradia, transporte, alimentação e entreteni­mento em 207 cidades do mundo são analisados, utilizando a cidade de Nova York e o dólar americano como base para comparação pela consultoria. “É necessário enviar empregados para o exterior para garantir a competitividade no mercado, porém, os empregadores precisam realizar uma reflexão precisa e confiável sobre o custo real de tais transferências e seu impacto nos resultados”, ressalta Ilya Bonic, presidente da área de talent da Mercer.

Na América Latina

“Na medida em que a economia global está cada vez mais interconectada, 85% das organizações multinacionais na América Latina esperam que as transferências nacionais de longo prazo se mantenham estáveis, ou aumentem nos próximos dois anos para fazer frente às necessidades do negócio.” Essa é a visão de Bonic  sobre a região. Nesse cenário, Buenos Aires ocupa o primeiro lugar do ranking latino-americano e o 19º da lista global devido ao enfraquecimento da economia argentina e de sua moeda, atrelado ao aumento nos preços de bens e serviços.

Logo atrás de Buenos Aires, São Paulo e Rio de Janeiro figuram no topo do ranking da América Latina, em segundo e terceiros lugares, respectivamente. Ocupando a 40ª posição global, a capital paulista teve seu custo de vida aumentado pela alta de aluguel, além de outros fatores, como informa Karla Costa, consultora de remuneração e global mobility da Mercer Brasil. Neste ano, o Rio de Janeiro ocupa o 67º lugar no levantamento da Mercer. A consultoria destaca que, em relação às cidades brasileiras, a única categoria de produtos e serviços que obteve índice superior comparada ao ano passado foi a que considera principalmente gastos com energia elétrica e telefone.

Santiago, Cidade do México e Monterrey também subiram na lista, ocupando os 70º, 137º e 182º lugares, respectivamente. Devido a sua complexa situação monetária, Caracas, na Venezuela, foi excluída do levantamento. Em sua análise, Sandra Huertas, líder do Centro de Excelência de Mobilidade de Empregados para América Latina, considera que apesar do reposicionamento das cidades da região no ranking global, a América Latina teve momentos mais sutis neste ano.

Do outro lado do mundo

Segundo o levantamento da Mercer, metade das 10 cidades mais caras do ranking deste ano está na Ásia. Com sua moeda atrelada ao dólar americano e o custo de vida mais alto, Hong Kong ocupa o segundo lugar do ranking global.

Aperto no Caminito: expatriados têm de dançar muito tango para conseguir driblar altos preços de Buenos Aires

Outras capitais asiáticas também subiram na lista até os 10 primeiros lugares: Cingapura, em 4º; Xangai em 6º; Beijing (Pequim) em 7º; e Seul em 8º. Enquanto Tóquio caiu quatro posições e ocupa hoje a 11ª, Mumbai subiu 66 lugares e é hoje a 74ª cidade mais cara para expatriados. Devido ao rápido crescimento econômico e à inflação de produtos e serviços, outras cidades da Índia também subiram suas posições no ranking, como Nova Délhi (132º), Chennai (157º) e Bangalore (183º).

Outras capitais asiáticas também subiram na lista: Bangcoc hoje ocupa o 45º lugar, Hanói o 86º e Jacarta o 99º. Já Bishkek, a capital do Quirguistão, é a cidade mais barata do mundo para expatriados na região. Mais ao sul, as cidades australianas caíram no ranking devido à desvalorização da moeda local. Sydney (31), a cidade mais cara da Austrália para expatriados, caiu cinco lugares e hoje está no 31º, junto com Melbourne (47º) e Perth (48º).

“Muitas moedas do Oriente Médio estão atreladas ao dólar americano, o que impulsionou as cidades para cima no ranking. O grande aumento do aluguel residencial para expatriados, particularmente em Abu Dhabi e Dubai, também contribuíram para a subida dessas cidades no ranking”, afirma Constantin-Métral, principal na Mercer e responsável pela integração do ranking global. Abu Dhabi, a capital dos Emirados Árabes Unidos, ocupa a 33ª posição, enquanto Dubai a 23ª. Tel Aviv, no 18º lugar, continua sendo a cidade mais cara do Oriente Médio.

Europa

Por conta do aumento do franco suíço em relação ao euro e ao dólar americano, a Suíça continua como um dos países mais caros para expatriados. Além de Zurique e Genebra, Berna também está na lista, ocupando a nona posição do ranking mundial. Os preços mais baixos do petróleo e a falta de confiança na moeda, seguidos por sanções do Ocidente sobre a crise na Ucrânia, foram os principais fatores para que as cidades russas caíssem na lista global da Mercer. A capital Moscou, por exemplo, esteve no 9º lugar no ano passado, mas em 2015 ocupa a 50ª posição. Já São Petersburgo caiu 117 lugares e ocupa agora a 152ª posição.

Também é por conta do enfraquecimento das moedas locais em relação ao dólar americano que capitais como Paris (46º lugar), Roma (59º) e Berlim (106º) caíram no ranking global em relação ao ano passado. Na Europa Ocidental, essa tendência é seguida por Viena (56ª posição), Munique (87ª), Frankfurt (98ª) e Hamburgo (124ª). No Reino Unido, Londres permaneceu estável na 12ª posição, mas Birmingham e Aberdeen subiram na lista e ocupam os 80º e 82º lugares, respectivamente.


Do outro lado do Atlântico, Nova York continua sendo a cidade na posição mais alta no ranking americano. Por conta do fortalecimento do dólar contra outras moedas importantes, as cidades dos EUA saltaram no ranking. Los Angeles, por exemplo, subiu 26 posições e ocupa neste ano o 36º lugar. Já Seattle, pulou 47 posições e se encontra hoje na 106ª posição mundial. Os custos de vida no Canadá di­minuíram por conta do enfraquecimento do dólar canadense em relação ao americano, levando importantes cidades como Vancouver, Toronto e Montreal a caírem várias posições.

Os altos custos de vida e também o aumento nos preços dos produtos tornam muitas cidades africanas as mais caras. Luanda continua a ser a cidade mais custosa para expatriados no mundo, seguida pelas capitais Ndjamena (Chade) na 10ª posição, Victoria na 17ª e Libreville (Gabão)na 30ª. Em 2014, a capital do Chade, N’Djamena, ocupou a segunda posição do ranking. Ao contrário das outras cidades do continente, a Cidade do Cabo, na África do Sul, está no fim da lista da Mercer na 200ª posição por conta da fraqueza do rand sul-africano diante do dólar.

Por conta do enfraquecimento das moedas locais em relação ao dólar americano
a cidade de Roma caiu no ranking global

 

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