Cartilha propõe home office no Rio de Janeiro durante a Olimpíada

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Sexta-feira, dia útil e abertura oficial dos Jogos Olímpicos 2016. Os números são impressionantes. São 42 modalidades esportivas, 306 provas e 37 arenas, 6.000 profissionais de imprensa, 20.000 de televisão, 85.000 de segurança, 10.900 atletas de 206 países, seus acompanhantes, turistas, além de todos os moradores do Rio de Janeiro.

Para eles, o desafio de ir e vir do trabalho diariamente pode ficar mais complicado, porque o evento deve agravar as condições de mobilidade urbana na cidade por causa do aumento dos deslocamentos do pessoal da organização e apoio envolvidos.

Cartilha propõe home office no Rio de Janeiro durante a OlimpíadaPensando nisso, a Sobratt, junto com as organizações não governamentais ABRH Brasil, ABRH-RJ e o Portal Mobilize, lançou uma Cartilha de Orientação para Implantação de do Teletrabalho e Home Office. O objetivo é ser um guia de orientação para a implantação em caráter contingencial.

Wolnei Ferreira, diretor jurídico da ABRH-Brasil, explica que aproximadamente metade dos deslocamentos diários nas cidades tem como destino ou origem o local de trabalho.

A forma como essas pessoas se deslocam tem diferentes impactos e consequências para o bairro, para a cidade e para o próprio funcionário, que chega a perder horas diárias indo e voltando do trabalho.

Segundo Wolnei, não há uma única solução para as questões de mobilidade e qualidade de vida das pessoas, mas as empresas podem ajudar a desatar esse nó oferecendo alternativas como teletrabalho e home office para que seus colaboradores não precisem sair de casa. Acompanhe a entrevista.

O quanto de melhoria esperam se a Cartilha for posta em prática nos Jogos?
É quase impossível medir qualquer impacto, mas os benefícios gerados à sociedade, empregados e empresas, meio ambiente e mobilidade urbana, são enormes, ainda que apenas uma empresa adote. A população deve estar acompanhando e sabe que a mobilidade urbana no Rio de Janeiro é uma das piores do país.

Como tem sido a recepção a ela até o momento?
Olha, as manifestações recebidas em nosso site, facebook, LinkedIn e outras mídias sociais, foi muito positiva, com muita aceitação pelo público de RH, que sentia falta de um mínimo de orientação a respeito. Não tivemos críticas sobre o conteúdo ou forma de apresentação, que foi bastante elogiada.

Qual a maior dificuldade de colocá-la em prática: a falta de informação inicial das empresas, a burocracia para realizar uma mudança assim ou a eventual resistência empresas de pensar fora da caixinha? Por quê?
Temos ainda que a maior dificuldade na implantação está na insegurança jurídica, devido falta de uma regulação mais profunda e apropriada, mas que sob nossa ótica, é um medo desnecessário, posto já haver regulação suficiente a respeito. Então, acreditamos que o “pensar fora da caixinha” ainda é um drama, especialmente para líderes, que ainda acreditam ser necessário “ver” o empregado trabalhando, ainda que nem saibam o que eles estejam fazendo.

Por que o teletrabalho, home office e trabalho a distância costumam ser adotados “apenas” em situações de necessidade e geralmente como última opção?
Na verdade, a crise econômica e a necessidade de buscar economias têm levado as empresas a buscarem o trabalho à distância em suas várias modalidades. Mas, vemos hoje muitas empresas adotando isso como forma de reter profissionais (é certo que a flexibilidade do trabalho a distância é um atrativo enorme para isso) e mesmo como forma de melhorar a produtividade (pesquisas estimam que há um crescimento em torno de 25 a 30%). Por fim, trata-se de uma realidade mundial este avanço. O site “adoro meu home office” trouxe recente informação sobre pesquisa recente realizada entre líderes da Global Leadership Summit, em Londres, mostrando que 34% deles acreditam que mais da metade da empresa estará trabalhando remotamente em 2020. E outros 25% afirmam que mais de 3/4 dos colaboradores não iria funcionar em um escritório tradicional em 2020. Vejam que a realidade está logo aí, em poucos anos.

Além do impacto positivo na mobilidade urbana e no tempo economizado no ir e vir, quais outras vantagens para as empresas e funcionários poderia destacar?
É importante destacar para as empresas o benefício da retenção de talentos, aumento da produtividade e economias em custo. Para os empregados, haverá também economia com o veículo e vestimentas, melhoria no aproveitamento de seu tempo (flexibilidade e ganho de tempo permite melhorar atividades de lazer, educação e social) e saúde.

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