Cenário inovador

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Mais do que espaços informais, são ambientes que trabalham a inovação (escritório da ClearSale). (Crédito: Gustavo Morita)

 

Uma sala de reunião com redes e almofadões, uma mesa de sinuca no saguão ou um refeitório com trailer que serve sanduíches. Muitas dessas iniciativas contribuem para ambientes de trabalho mais informais e acolhedores, mas também funcionam como uma maquiagem da informalidade. Essa tendência, que pegou carona no crescimento colossal de grandes grupos de TI, não derruba sozinha as barreiras contra a cultura da inovação nas empresas. É preciso método, estratégia.

Para o consultor Erik Penna, foi-se o tempo em que grandes empresas de países desenvolvidos da Europa ou dos Estados Unidos tratavam a inovação como uma vantagem competitiva. “Hoje, é uma necessidade, uma questão de vida ou morte”, garante. Os gestores contemporâneos devem buscar novas práticas sistematicamente, perseguindo a melhoria na performance da equipe e no desempenho organizacional. “Assim, minimizam a tendência natural do ser humano de permanecer em sua zona de conforto – afinal, o sucesso de ontem não garante o de amanhã.”

E as grandes organizações de sucesso internacional como o Google são as que conciliam inovação com planejamento, conforme destaca Penna. “Isso é fundamental para que não tenhamos nas nossas empresas apenas iniciativas, mas também ´acabativas´”, brinca. O consultor também ressalta que uma grande inovação pode ser conquistada a partir de pequenas atitudes e práticas diárias, que precisam ser estimuladas, notadas e premiadas.

O desafio é maior em economias emergentes, como a brasileira. “Os países desenvolvidos já têm sistemas de inovação articulados e consolidados, impulsionados pela revolução das tecnologias de comunicação e de informação”, afirma o consultor e educador Claiton Fernandez. A cultura da inovação não ocorre de forma espontânea – é o resultado de um processo. “Esse é o motivo pelo qual o Brasil poderia investir mais recursos em pesquisas científicas e experiências universitárias, aliadas às incubadoras com foco tecnológico.”

O papel dos estados na inovação é conflitante no mundo todo, conforme indicou também o relatório A empresa inovadora, da Economist Intelligence Unit. Quando o assunto é treinamento/formação, há um jogo de empurra. “Vemos uma diferença entre as habilidades que as empresas esperam ser necessárias e as que os governos acreditam ter responsabilidade de desenvolver, por meio de programas de qualificação de adultos”, diz o relatório.

De fato, em mais de um terço (37%) das empresas pesquisadas, o treinamento fornecido em seus países não é considerado adequado para melhorar a habilidade de inovação da força de trabalho. Mesmo assim, os funcionários públicos entrevistados pareceram relutantes em dialogar com as empresas sobre os tipos de habilidades necessárias. Para a maioria (75%), não é seu trabalho lidar com as diferenças criativas nas corporações. O estudo conclui, contudo, que as empresas poderiam fazer mais para diminuir essas diferenças, melhorando as habilidades de comunicação de seus colaboradores e os incentivando a compartilhar ideias nas organizações. (LQ)

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