Como o empoderamento familiar pode transformar a sociedade e as corporações?

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    As mulheres estão ganhando espaço e voz nos mais diferentes segmentos e, com isso, o termo “empoderamento feminino” vem ganhando força. No entanto, um termo que poucos conhecem é o “empoderamento familiar”.

    *Por Cristina Kerr

    Os arranjos familiares da atualidade têm diversas configurações e essa diversidade está transformando a sociedade e exigindo uma nova abordagem também nas corporações. Por isso, é necessário falarmos sobre o empoderamento familiar, que busca fortalecer a família diante das novas estruturas para redefinir o papel das mães e dos pais na sociedade.

    Antigamente, a tradicional família brasileira era baseada em um modelo patriarcal, no qual o homem era o único responsável pelo sustento da família e a mulher cuidava dos filhos e da casa. Hoje, esse cenário vem se alterando, com homens que compartilham as tarefas domésticas e o cuidado com os filhos e mulheres que trabalham fora. A estrutura familiar tradicional também não é mais predominante e existem diversos tipos de estrutura, como a monoparental, que possui apenas a mãe ou o pai responsável pelo sustento do lar e sustento dos filhos, os recasamentos, que se formam na busca de novos parceiros, que, muitas vezes, já tem seus filhos, e as uniões homoafetivas, na qual, em muitos casos, há a adoção de crianças.

    Ao empoderar as famílias todos os membros só têm a ganhar e uma das principais condições para isso é a mudança de postura dos homens. O parceiro pode se tornar mais consciente entendendo o prazer de participar da criação dos filhos, além de compartilhar as funções com responsabilidades iguais, ao invés de somente “ajudar”. O benefício dessa transformação não é apenas desafogar as tarefas da mãe, mas também criar filhos mais saudáveis emocionalmente.

    Quando um pai cuida do seu filho na primeira infância, muitas conexões positivas acontecem, a intimidade vai se desenvolvendo e a confiança e o amor vão se consolidando. Não é só uma questão de desenvolvimento infantil, mas também do desenvolvimento do homem e do pai, que adquire 3 importantes competências: acolhimento, cuidado e compreensão da necessidade do outro.

    Além da transformação paterna, o empoderamento familiar também trata da educação dos filhos em uma sociedade moderna, que conta com dois desafios a serem trabalhados pelas famílias, os estereótipos de gênero e o empoderamento das meninas.

    O primeiro diz respeito a divisão de cores e brinquedos entre meninos e meninas, por exemplo. É preciso esclarecer que nos tempos de hoje não existe mais brinquedo de meninos ou de meninas. Os brinquedos não devem mais ser divididos por gênero, já que bonecas e carrinhos podem ser divertidos para ambos os gêneros. O que a criança deve saber e entender é que há diferenças de gênero e que ela pode brincar de maneira saudável, não preconceituosa, sabendo qual é a sua identidade.

    Já o segundo desafio a ser enfrentado pelas famílias modernas é a criação de meninas mais confiantes e empoderadas. Uma pesquisa realizada pela ONG Britânica Plan com 1.948 garotas brasileiras constatou que 40% das meninas entre 6 a 14 anos não se acham tão inteligentes quanto os meninos. Criar rótulos para as meninas, como “vocês não são boas em matemática ou ciências”, é algo que prejudica muito o desenvolvimento delas, minando sua autoconfiança, destruindo sua autoestima e ensinando que elas não são capazes, somente por serem do gênero feminino.

    É através das transformações realizadas em nossas casas que vamos conquistar um mundo mais igualitário e justo e assim, num futuro próximo, teremos uma sociedade mais saudável e menos preconceituosa com as crianças.

    *Cristina Kerr é palestrante, especialista em diversidade, empoderamento feminino e familiar, idealizadora do Fórum Mulheres em Destaque e do Fórum Gestão da Diversidade e Inclusão e CEO da Agência CKZ – www.plataformadiversidade.com.br

     

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