Como profissionais de RH podem ajudar as empresas a se reinventar e sair melhor de uma crise?

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Manter um clima de positividade pode ser difícil quando a empresa lida com demissões, incerteza sobre o futuro e cortes orçamentários. Mas existem maneiras de amenizar a situação e criar um ambiente melhor para passar por essa fase. Pensando nisso, perguntamos a cinco diretores de RH sobre o papel desse profissional em momentos de crise. Veja abaixo o que eles sugerem.

 

ADRIANA ZANNI
Diretora de Recursos Humanos do Grupo Branasitas

“Os profissionais da área de Recursos Humanos podem ajudar as empresas a superar uma crise estando muito próximos ao negócio, repensando processos e facilitando a quebra de paradigmas nas organizações.

Também é fundamental que os profissionais de RH entendam profundamente os números da organização, trazendo sugestões que desafiem e otimizem as estruturas atuais.

Além disso, vale ressaltar que o profissional de RH é o responsável pela gestão da cultura organizacional e dos colaboradores, principais ativos de uma organização. Em um momento de crise, é essencial contar com o engajamento de todos os profissionais da empresa e o trabalho da área de RH neste sentido torna-se ainda mais relevante.”

 

DORIVAL DONADÃO
Sócio-diretor da DNConsultant

“As organizações estão demandando das áreas de RH uma atitude mais propositiva em relação ao cenário de crescentes dificuldades da economia e dos mercados. Afinal, são os profissionais de recursos humanos que, teoricamente, medem o pulso do clima interno e são mais sensitivos em relação aos humores e inquietações da força de trabalho. Mas o que é, afinal, ser mais “propositivo”? É ir além de diagnósticos e agir proativamente para a busca de soluções que, muitas vezes, estão no “front”, nas linhas de fogo e nas mentes inquietas das próprias pessoas que estão sentindo na carne os efeitos da crise.

O RH deve ser um catalizador das chamadas “pequenas soluções”, as ideias que, somadas, podem representar saídas criativas para os problemas críticos das organizações. Quase sempre saem boas surpresas desse processo.

O RH deve “desentocar” as lideranças, estimular que as chefias estejam próximas da força de trabalho. O que costuma agravar os efeitos da crise é o sumiço dos líderes do cotidiano de trabalho quando as dificuldades evoluem para um cenário de baixo controle. Os líderes se agasalham em intermináveis e improdutivas reuniões, dividindo angústias, quando as soluções estão muitas vezes na base da força de trabalho, onde “o bicho pega” e a crise é mais contundente.”

 

CÍCERO PENHA
Vice-presidente de talentos humanos no Grupo Algar e coordenador geral da Algar Universidade de Negócios

“Em primeiro lugar, é preciso ter em mente que o profissional de RH é multifuncional na empresa. Ele cuida de muitas coisas, que incluem procedimentos administrativos e questões estratégicas, como desenvolvimento de lideranças.

Um cenário de crise não invalida isso – o professional tem que continuar pensando nessas questões. Nesse momento, o RH precisa ajudar a empresa a manter a calma. Notícias ruins vindas de fora e de dentro da empresa geram ansiedade e até mesmo pânico. É preciso criar um ambiente de positividade para contrabalancear essa onda negativa que se vive no país – inclusive para não adoecer a força de trabalho.

Um dos grandes papéis do RH neste momento é ajudar a gerar condições para pensar e criar. Reuniões de lideranças e liderados, por exemplo, não podem tratar apenas de coisas ruins – é necessário manter a disposição e a produtividade. Crises vêm e vão, e é preciso saber lidar com os momentos de queda e dificuldades.”

 

MARCOS NASCIMENTO
Consultor em recursos humanos e sócio da ManStrategy Consulting Ltd

 

“A melhor maneira de agir em tempos de crise é ouvir! A ajuda para essa crise seguramente virá de um processo de escuta ativa de todas as vozes da organização. Ao contextualizar a situação da sua empresa (estratégia original, objetivos e metas acordados e, em razão da crise, ajustados, redirecionamentos etc.), trabalhe junto aos diversos níveis hierárquicos da organização e pergunte: o que devemos, o que queremos e o que podemos fazer para sair da crise em que estamos. E, claro, ouvir ativamente as respostas! Tenho absoluta certeza de que ideias factíveis surgirão e aí cabe a liderança, do RH, em implementar as que fizerem sentido. De fato é praticar a tríade, em inglês: listen, learn and lead (ouça, aprenda e lidere).”

 

ELCIO TRAJANO JUNIOR
Diretor de Recursos Humanos da Eldorado Brasil Celulose S/A

“Os profissionais de RH devem proporcionar à empresa condições para uma efetiva gestão de talentos, não visando apenas o curto prazo e as necessidades atuais/emergenciais e sim focando no médio e longo prazo, na perenidade da empresa e nas necessidades das pessoas que nela trabalham.

Trata-se da criação de um comprometimento: empresa e pessoas com o mesmo propósito, alinhamento de valores e princípios. Cada vez mais, os colaboradores assumem a responsabilidade e o controle da própria educação – treinamento e desenvolvimento pessoal e profissional (carreira) – e, em contrapartida, a organização oferece condições para que isso aconteça, disponibilizando ferramentas para gestão de recursos humanos, criando centros de aprendizado, implantando políticas e programas para o desenvolvimento humano, fazendo com que as pessoas se sintam felizes no ambiente de trabalho.

Para reinventar e sair melhor de uma crise, é importante reconhecer que as pessoas são as protagonistas, que fazem o diferencial e são a fonte de vantagem competitiva dos negócios, não são simples recursos ou ativos.”

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