Continuem a ser o que são

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    A liderança feminina, para seguir efetiva, só precisa continuar sendo… feminina

    marcos-textoEduque um homem e terá um cidadão, eduque uma mulher e terá uma família!” Essa frase é bem antiga e pode gerar uma reflexão profunda sobre o papel da liderança feminina em nossos tempos. E falar sobre a importância da presença da liderança feminina nas instituições pode até parecer ultrapassado, mas, infelizmente, sabemos que essa presença ainda tem sido negligenciada em algumas situações, menos respeitada em outras e, até mesmo, rechaçada e não admitida em muitos casos e organizações.

    Não vou me ater a números de posições ocupadas, cargos com presença feminina e outros BigDatas que, seguramente, poderiam nos trazer outras importantes reflexões. Já sabemos que numericamente ainda temos um grande caminho na questão equilíbrio/igualdade. Prefiro focar a questão qualidade que, inegavelmente, as mulheres têm e das quais me salta aos olhos e ao coração sua verdadeira capacidade de lidar com uma das coisas que mais afligem os homens: as emoções!

    E é lidar com as emoções em seu aspecto mais profundo e primitivo, que é a conexão amorosa que se estabelece em uma de suas facetas: o lar! Senão, vejamos: homem e mulher, de um mesmo lar, trabalham, são bem-sucedidos e se dedicam às suas ações e obrigações no papel profissional. Mas é sabido que a “segunda jornada”, de maneira geral, recai sob a responsabilidade delas. Ou seja, quando ambos estão de volta ao lar, é ela quem assume a segunda jornada, que tem responsabilidades complexas e ambíguas, e continua a lidar com gente (seus entes amados) e “resultados”, uma vez que o lar também necessita de gestão para se ter eficiência!

    Quanto a nós, os exemplares “fortes” dessa relação, chegamos “muito cansados” (mas, e elas?), com desculpas honestas de que não estamos em condições para discutir ou fazer mais nada, pois “o dia foi muito cheio”! Mas o delas também! E ainda assim, com maestria e uma elegância que nunca teremos, elas seguem sua jornada de sucesso.
    Esse é só um exemplo do que tenho presenciado e que talvez corrobore o que uma revista de negócios americana trouxe, ano passado, como sendo um conjunto de características que a liderança feminina possui: inteligência emocional; resiliência; equilíbrio; tolerância a dor (de todos os tipos); ser multitarefa; vontade de ajudar; e inteligência “social”, entre outras.

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    Em um momento no qual sociedade e organizações em geral precisam de mais “educação”, de princípios e valores praticados, não há como negar que as mulheres estão mais preparadas para esse resgate do que a ala masculina. Afirmo isso com conhecimento de causa e sem nenhum romantismo, pois o ato de exaltar a gestão da emoção, em que elas nos dão um “banho”, é algo extremamente racional e baseado em fatos, exemplos e situações do cotidiano corporativo. Mas há um perigo nisso tudo: elas copiarem a ala masculina naquilo que se convencionou dizer que é o estilo “efetivo” de liderar (o masculino). Se fizerem isso, irão padecer. A liderança feminina, para seguir efetiva, só precisa continuar sendo… feminina.

    * Marcos Nascimento é partner na Manstrategy Consulting

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