Da convenção ao congresso

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CONARH, edição de 2013: força e importância conquistadas ao longo de 40 edições

Conap e Abape: duas siglas desconhecidas na atualidade, mas fortemente presentes na memória daqueles que ajudaram a construir a história do RH no país. Foi com o nome de Conap – Convenção Nacional de Administradores de Pessoal que, nos dias 13 e 14 de novembro de 1965, foi realizada a primeira edição daquele que viria a se transformar no maior evento sobre gestão de pessoas da América Latina, o CONARH.

A origem do evento é relatada no livro Recordando passagens de minha vida, de Bernardo Gôngora – então presidente da Associação Paulista de Administração de Pessoal (Apap), hoje ABRH-SP, fundada em março do mesmo ano, por oito grupos profissionais – e mostra que sua história funde-se com a da ABRH-Brasil.

Com o nome de Associação Brasileira de Administração de Pessoal (Abape), a entidade nasceu oficialmente no dia 13 de novembro, durante o Conap, cuja edição de estreia foi organizada pelo Centro de Estudos de Administração de Pessoal (CEAPC), de Campinas (SP). A coordenação ficou a cargo de José Antonio Maranho, então vice-presidente da Apap. Quatro anos depois, em 1969, ele foi eleito presidente da Abape.

A entidade nacional, conta Gôngora no livro, acabou sendo estimulada no 2º Congresso Interamericano de Administração de Pessoal (Ciap), realizado na Venezuela, quando o Brasil foi eleito sede da terceira edição, que aconteceria em 1967, e a condição sine qua non seria a de ter fundada sua entidade de âmbito nacional. A partir daí, os diretores da Apap iniciaram os preparativos para o Ciap e as providências para criar a Abape.

Na 1ª Conap, Siegfried Hoyler foi eleito presidente da entidade. A partir de 1966, na segunda edição do evento, esta no Rio de Janeiro, a Abape passou a ser sua promotora. Durante 30 anos, o CONARH teve caráter itinerante e bienal. Foi realizado em Campinas, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Blumenau, Salvador, Recife, Porto Alegre, Brasília, São Paulo, Foz do Iguaçu e Fortaleza, até que em 1995 passou a ser anual e se estabeleceu em São Paulo. Só voltou ao Rio em 2004, quando aconteceu simultaneamente ao 10º Congresso Mundial de Recursos Humanos, pela primeira vez realizado no Brasil e um marco na história do evento.

A partir de 1973, a Conap ganhou novo status: passou a se chamar Congresso Nacional de Administração de Pessoal. Em 1981, a Abape teve seu nome mudado para Associação Brasileira de Recursos Humanos; em função disso, na edição seguinte, em 1983, o Conap passou a se chamar Congresso Nacional de Administração de Recursos Humanos, originando a sigla CONARH. Em 2001, acompanhando as tendências mundiais, o nome foi mais uma vez mudado, desta vez para Congresso Nacional sobre Gestão de Pessoas, mas a sigla foi mantida, pois havia se consolidado como uma marca respeitada do RH dentro e fora do Brasil.

Importância maior

Desde a sua criação, o congresso busca refletir a conjuntura de RH. “Antigamente, o administrador de pessoal era subordinado ao contador da empresa e agia com mão de ferro. Tinha uma atuação cartorial, discriminatória e ditatorial. Hoje, o principal executivo de RH está próximo da alta cúpula. Sua área passou a ter mais importância junto à empresa, que, por sua vez, começou a dar mais valor a esse segmento”, afirmou Maranho em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, em matéria publicada nas páginas da ABRH.

Essas mudanças encontram explicação também no cenário político do país. A fundação do Conap e da Abape se deu em plena ascensão do governo militar. Maranho lembrou que muitos dos profissionais se desenvolveram nesse período, definindo práticas de RH sem ouvir ou estar sensível ao “outro lado”. No final da década de 1970, com o regime militar perdendo força, as mudanças políticas rumo à democracia começaram a se refletir no papel de RH. Maranho contou que as greves do ABC paulista foram fundamentais nesse movimento. “As empresas começaram a perceber que havia um outro lado que precisava ser ouvido e, claro, o RH passou a ser visto como um instrumento para tomadas de decisão acertadas”, finalizou.

 

O mundial é nosso 
Luiz Carlos Campos: esforços que valeram a pena

Em 2004, Brasil sedia, pela primeira vez, o congresso mundial de gestão de RH

Durante quatro dias, o Riocentro abriu suas portas para o mais importante evento de gestão de pessoas do mundo. Em sua 10ª edição, o Congresso Mundial de Gestão de Recursos Humanos foi realizado pela primeira vez no Brasil, sob o tema Building Connections, Getting Results – Conexões que geram resultados, paralelamente ao 30º CONARH.

Então presidente da ABRH na ocasião, Luiz Carlos C. Campos afirmou, em editorial na revista MELHOR, que ao longo de um ano, houve um intenso trabalho para trazer empresas e profissionais que faziam acontecer, que transformam conceitos em ações. “Hoje, temos a certeza de que valeram todos os esforços do comitê organizador do Mundial, porque conseguimos reunir em um mesmo lugar as mais importantes experiências e especialistas em gestão de pessoas e gestão do conhecimento. Nenhuma estratégia de negócios, para ser bem-sucedida e satisfazer a todos os envolvidos, pode hoje prescindir do conceito de conectividade entre pessoas, organizações e sociedade”, escreveu Campos, que faleceu em em 18 de setembro de 2005.

Segundo ele, as expectativas foram superadas em termos de público e de conteúdo. Foram mais de 4,2 mil congressistas, cerca de 450 estrangeiros vindos de 44 países dos cinco continentes, que assistiram a quase 100 palestras, apresentadas por representantes de 14 nações. Além disso, o evento serviu de pano de fundo para a apresentação da recém-criada Federação Africana de Associações de Recursos Humanos, feita pelo seu presidente, o sul-africano Tiisetso Tsukudu. Entre as metas iniciais da nova federação, Tsukudu destacou a realização do 1º Congresso Africano de Recursos Humanos, em fevereiro de 2005, em Joanesburgo, na África do Sul. “Muito mais do que termos ultrapassado todas as nossas melhores expectativas, estamos certos do dever cumprido e cônscios da nossa responsabilidade com o que ainda está por vir”, concluiu Campos.

Na abertura do evento, o diretor-geral da consultoria Amana-Key, Oscar Motomura, afirmou que a revolução dali para a frente seria a do capital natural, ressaltando a conexão entre o mundo corporativo, o capital humano e a natureza. Ele ainda destacou a necessidade de uma consciência profunda do homem em relação a esse elemento – que chamou de “consciência ecológica” – como caminho para atingir a sustentabilidade.

Também na abertura foram apresentados os principais resultados dos três fóruns que antecederam os congressos: de presidentes, trabalhadores e jovens. “As empresas querem funcionários mais participativos e manifestam vontade de ouvi-los. Os trabalhadores desejam ser desafiados e ter mais interação com chefes e parceiros, e os jovens sentem a necessidade de serem motivados a quebrar paradigmas para entrar no mundo do trabalho”, destacou Nelson Savioli, superintendente da Fundação Roberto Marinho e hoje também diretor da ABRH-Brasil e, na época, coordenador dos três fóruns. “As conexões entre os grupos são evidentes”, acrescentou. (TG)

 

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