Entre dois mundos

0
530

Souza, do Grupo Empreenda: enterrar as ideias mortas do management

Ele viu nascer, e curtiu, o Tropicalismo e o Cinema Novo com Glauber Rocha. Assistia aos filmes de Ingmar Bergman e François Truffaut. Lia João Cabral de Melo Neto e inspirava-se em Fernando Pessoa. Baiano como Glauber e Gilberto Gil, César Souza aproveitou o ambiente de efervescência cultural da Bahia das décadas de 1960-70 que lhe deu “régua e compasso” e deixou-se ser seduzido também pelas obras de Jorge Amado, pelas telas de Carybé e pelas riquezas que a cultura africana acrescia à brasileira… Mas foi aos 18 anos que o então jovem calouro do curso de administração teve uma experiência diferente com o mundo das artes. Na ocasião, o paulista José Celso Martinez Correa encenava na capital baiana três peças em uma semana: Macunaíma; Rei da Vela; e Galileu Galilei. “Foi uma injeção na veia de cultura e reflexão. Comecei a perceber formas metafóricas de passar mensagens e fui associando personagens das peças e situações ao que lia nos livros de administração”, lembra Souza, que hoje, além de ser autor de vários best-sellers na área de gestão, é também consultor e presidente do Grupo Empreenda. A partir de então, ele não consegue viver sem assistir a uma boa peça de teatro de vez em quando, de ir a exposições, de ler bons livros, assistir a bons filmes e de conversar sobre o tema. E por falar em conversa, na entrevista a seguir Souza mostra como o mundo da gestão pode aprender com o mundo das artes.

Quais as vantagens da arte para o desenvolvimento de pessoas tanto na vida quanto nas empresas?
A arte é uma potente alavanca para estimular o desenvolvimento de pessoas e profissionais. A arte não é apenas racional, ela toca na emoção, desbloqueia, faz pensar, faz “viajar”, faz descolar da realidade cotidiana e isso solta o pensamento, a imaginação, a forma de pensar e sentir. Acredito muito que um bom complemento para as disciplinas tradicionais de administração é o aprendizado da história, da filosofia e das artes. Mais importante que o “como fazer” é o “como pensar”. A arte ajuda a pensar e a perceber de forma diferente o mundo em que vivemos. O mundo das artes traz várias lições para o RH: na liderança, no desenvolvimento de equipes, na sucessão, na inovação, no autoconhecimento e em várias outras dimensões.
 
Fala-se muito em mudanças no mundo corporativo, em rupturas com conceitos anteriores. Nas artes isso também é comum. Nesse ponto, temos alguma lição para as empresas?
Vários momentos de ruptura no mundo artístico são inspiradores para entendermos os momentos de ruptura no mundo corporativo. Fala-se no tal do change management, pois seria bom que quem tenta aprender sobre “change” entendesse como isso aconteceu no mundo das artes. Vejamos cinco momentos de ruptura importantes no mundo das artes:

a) O Renascimento (grosso modo, iniciado em 1450) foi uma importante ruptura com a arte medieval-bizantina, icônica, em que os personagens religiosos eram retratados na tela de forma chapada, bidimensional, prática que perdurou por mais de mil anos! O Renascimento trouxe um novo olhar, utilizando a perspectiva tridimentsional e a ousadia de retratar pessoas comuns e não apenas religiosos, criou um novo momento. Ele estimulou novas circunstâncias para mudança no comércio (o primeiro banco comercial foi criado nessa época, em 1472, em Florença), na literatura (Dante, Maquiavel), na escultura (Michelangelo) e na arquitetura (Catedral de Santa Maria Novelis), para dar apenas alguns exemplos.

b) O Impressionismo, no final do século 19, foi outro momento de ruptura e teve em Monet, Manet, Degas, Pissarro, Renoir alguns dos seus expoentes. Um grupo de jovens pintores rompeu com as regras da pintura vigentes até então. Os autores impressionistas não mais se preocupavam em obedecer aos preceitos do Realismo ou da Academia. A busca pelos elementos fundamentais de cada arte levou os pintores impressionistas a pesquisarem a produção pictórica não mais interessados em temáticas nobres ou no retrato fiel da realidade, mas em verem o quadro como obra em si mesma. A luz e o movimento, utilizando pinceladas soltas, tornam-se o principal elemento da pintura, sendo que geralmente as telas eram pintadas ao ar livre para que o pintor pudesse capturar melhor as variações das cores da natureza.

c) O Cubismo, no início do século 20, rompeu com a forma tradicional de retratar a realidade ao desconstruir paisagens e pessoas. Até o Impressionismo, a arte era figurativa. Monet olhava a natureza. O Cubismo, não. O Cubismo era um “estado de espírito”, não apenas um procedimento, mas uma estética que passou a influenciar todas as manifestações do pensamento contemporâneo. O precursor foi Cézanne, que inspirou Picasso, Gris, Braque, Lèger, dando início ao que chamamos de Arte Moderna. A obra de Picasso Les demoiselles d´Avignon (1906) foi um grande divisor de águas. Inspirou Miró e depois Salvador Dalí, desembocando no Surrealismo e possibilitando manifestações como a de Marcel Duchamp décadas depois.

d) O Abstracionismo, cuja primeira manifestação foi na tela Aquarela Abstrata (1910), de Wassily Kandinsky, propôs a valorização da linha, das cores e a imaginação das pessoas mais do que as figuras, imagens etc. Aos poucos, a arte foi se “desconstruindo” e foi se reinventando passando a focar mais as percepções sensoriais advindas da interação com as telas. O epicentro da arte começava a migrar da Europa para os EUA.

e) A Pop Art: a partir da década de 1950, a arte começou a valorizar os objetos, o cotidiano, já expondo coisas como a roda de bicicleta e o urinol de Duchamp. O expoente máximo foi Andy Warhol, imortalizado com as suas revolucionárias reproduções das latinhas de sopa Campbell e da conhecida sequência de fotos de Marilyn Monroe.

A Pop Art, um dos momentos de ruptura, com os trabalhos de Andy Warhol

E no Brasil?
No Brasil, também a Arte teve momentos importante de ruptura e três momentos são cruciais para entendermos nossa evolução:

a) Após um século de arte pictórica, retratando paisagem e cenas familiares de forma bem tradicional, surgiu o Modernismo, que começou com obras de Anita Malfatti (uma mulher pioneira nas artes plásticas, exceção num mundo masculino) com a tela Homem Amarelo, pintada em 1916, que criou grande polêmica, seguida da Semana de Arte Moderna de 22, com literatura, teatro e poesia e depois as obras de outra mulher, Tarsila do Amaral.

b) A década de 1950, com a Bossa-Nova, a arquitetura concretista que culminou com Brasília e a “escola de arte no futebol”, com a Copa do Mundo de 1958.

c) O Tropicalismo, no final da década de 1960, com uma revolução na música (Caetano Veloso, Gil, Raul Seixas e os Novos Baianos, que desconstruíram o ritmo cadenciado e monótono da Bossa-Nova), no Cinema Novo (com Glauber Rocha, outro baiano), no Teatro Oficina (com José Celso Martinez Correa).

Precisamos entender, como propôs Kandinsky, que toda obra de arte “é filha do seu tempo e, muitas vezes, mãe dos nossos sentimentos”. Traduzindo: os momentos de ruptura nas artes ocorreram em épocas de grande transformação na sociedade, na tecnologia e no mundo do trabalho. Exatamente como este momento angustiante de transição que vivemos. Por isso, precisamos dar um passo e pensar no NeoManagement porque a administração tal como a conhecemos hoje está com os dias contados. As teorias de administração, inclusive as de RH, já não funcionam, pois foram criadas em uma realidade que já não existe mais.
 

Rei Lear e Cordélia, na ilustração de John Moyr Smith: planos de sucessão

Repen Um fato importante é o olhar do artista para o mundo, objeto ou ideia que vai representar ou criar. Ao mesmo tempo, há o impacto dessa criação em quem a vê, que gera sentimentos ou até desconforto e uma nova leitura de mundo. Esse ambiente povoado de subjetividade das artes tem espaço (ou vem ganhando espaço) nas empresas ou ainda vemos mais o executivo-artífice com maior importância em relação ao profissional-artista?
Tem toda razão: vivemos um momento em que temos de valorizar o intangível (marca, reputação, confiança, ética, transparência, relacionamentos, sentimentos) tanto quanto o tangível (capital, tecnologia, produtos etc.). Muita gente ainda se sente desconfortável com isso, pois o mundo do tangível, previsível, fixo é mais confortável. No mundo industrial e no agropecuário, mais tradicionais, ainda predomina o executivo-artífice. No mundo dos serviços e dos negócios criativos, tecnológicos e menos tradicionais, começa uma valorização muito maior do profissional-artista. O grande fator diferenciador tem sido o avanço da tecnologia, que permite que os meios de produção estejam mais popularizados e os profissionais possam produzir sem precisar fazer isso dentro das grandes empresas. A revolução industrial concentrou a produção no ambiente da fábrica, visando economia de escala e especialização. Hoje, os meios de produção são acessíveis e estão em casa, no bolso, têm mobilidade. Isso desestruturou o processo central de produção e cria mais condições para o profissional-artista criar. Vou dar um exemplo de como a tecnologia influenciou o mundo das artes: as pinturas eram feitas dentro dos ateliês. Quando as tintas puderam ser colocadas em tubos, os pintores puderam pintar ao ar livre, observando a natureza e não apenas se esforçando para lembrar, no ambiente fechado do estúdio, o que tinham visto. O Impressionismo só foi possível com essa revolução tecnológica. Percebe a semelhança do ambiente fechado da fábrica para produzir e da produção hoje em casa, no avião, na rua, na piscina? Mobilidade é o nome da revolução. E tudo que puder ser móvel, será! Por isso, os modelos mentais do management e do RH terão de ser desconstruídos e ressignificados, pois a realidade mudou, e ainda tentam aplicar princípios da Era Industrial que não são mais úteis no mundo em que vivemos: móvel, volátil, digital, dos serviços e que precisam entender como focar o cliente e os relacionamentos instáveis e descartáveis. A tecnologia libertará cada vez mais os profissionais criativos e inovadores, que trabalharão mais em tribos do que em ambientes corporativos fechados. Exatamente como aconteceu no Impressionismo e no Cubismo. Desconstruir e ressignificar serão a tônica desse novo “jogo”.
 
Quando se fala em integração de equipes, a que obra você se refere como exemplo?
Na realidade, a duas: os quadros A música e A dança, ambos de Henri Matisse. Ao olhar essas obras, fiquei agradavelmente perturbado: muitas vezes os CEOs me contratam dizendo que os membros da sua equipe são ótimos individualmente, supercompetentes, mas não conseguem trabalhar em conjunto. E pedem que eu faça um team building. E esses quadros expressam isso, o trabalho individual e a sinergia em equipe. Rebatizei A música como Ilhas de competência. Já A dança chamei de Arquipélago de excelência. E concluí que o papel do líder é transformar ilhas de competência em um arquipélago de excelência. Matisse que me perdoe, mas tenho usado essas obras para ilustrar essa “tese” e fico impressionado que a ideia seja capturada melhor de forma pictórica, metafórica, do que apenas com palavras e conceitos acadêmicos.
 
O que um filme recentemente indicado ao Oscar, Whiplash, e Rei Lear, de Shakespeare, têm em comum quando o assunto é sucessão? Mais alguma obra ou autor que chame sua atenção para esses temas?
Acabei de rever Rei Lear, no teatro, numa excepcional interpretação de Juca de Oliveira. O drama de Shakespeare é sobre a sucessão familiar. O rei escolhe como sucessoras duas de suas filhas que dizem o que ele quer ouvir, que assumem o poder e sua parte do reino e que depois o abandonam. A peça é também sobre a ingratidão daqueles que se beneficiam do legado de alguém e depois se julgam poderosos, sem reconhecer que só chegaram lá porque esse alguém lhes deu uma chance na vida, ou dividiu o poder, ou o promoveu do nada. Depois que assumem o poder, a negação da realidade, a ingratidão e a traição são as respostas dos que se beneficiaram da generosidade de outrem. Vejo isso acontecer muito na vida corporativa. A ingratidão é um dos piores sentimentos que podemos ter quando percebemos alguém ingrato com o benefício que fazemos a esse alguém. Mas a peça não para por aí: das três filhas, o rei menospreza a única que fala a verdade, que é sincera e transparente. E a essa ele nada oferece. Mas, no final, é ela quem o resgata da triste situação a que foi submetido. Uma bela lição para o processo de sucessão das empresas familiares. A quem entregar o bastão? Com quem dividir o poder? Com quem fica de mansinho ao seu lado, só esperando o poder? Ou a quem, mesmo desagradando, diz o que deve ser dito? Os líderes precisam estar atentos aos lobos em pele de cordeiro que o cercam, beneficiando-se para, depois, exercerem a ingratidão e ainda bancarem a vítima como se fossem injustiçados. Já o filme Whiplash é mais sobre o processo de treinamento de um jovem talento. É sobre mentoring, coaching, desenvolvimento de pessoas. O filme provoca a questão do limite com que devemos conduzir o processo de desenvolvimento de uma pessoa e qual o nível de exigência ou de complacência que devemos ter com nossos liderados.

Michelangelo e Galileu. Nomes que misturam arte, técnica e inovação. Como entender e levar a obra deles para o mundo do RH?
Ambos são excelentes exemplos para a gestão de pessoas. De Michelangelo saliento Davi, a escultura mais bonita, mais perfeita da história da humanidade. Quando perguntado como ele conseguiu, com poucos recursos tecnológicos, fazer algo tão bonito de uma enorme e bruta pedra de mármore, o artista respondeu: “Mas eu não fiz nada disso. Eu apenas retirei da pedra de mármore tudo que não era o Davi!”. O que podemos depreender disso? Que o papel do líder é o de perceber uma obra de arte dentro de uma pedra bruta; remover os obstáculos; e dar vida a um talento… Sempre pergunto aos CEOs sobre qual obra de arte cada um está esculpindo. Ou, como pergunta meu querido amigo Mario Sergio Cortella: “Qual a sua obra?”. Esse é o maior legado que um líder pode deixar: sucessores e uma equipe capaz de perpetuar a obra que o líder iniciou. Já a peça Galileu Galilei, de Bertolt Brecht, é uma bela metáfora sobre a inovação e sobre a grande questão que precisamos nos fazer: “O que é melhor: morrer pela causa ou viver pela causa?”. Sabemos que ele abjurou das suas teses para não morrer queimado pela Inquisição da Igreja Católica que, só em 1992 (alguns séculos depois), reconheceu o erro e pediu perdão pelo que fez a ele. Galileu foi um questionador, um inovador, um determinado que viveu para comprovar sua intuição. A Terra é que gira em torno do Sol, não o contrário, não era o centro do universo como queria a Igreja. Hoje, podemos perguntar qual o centro do universo corporativo. Muitos ainda acham que a empresa é o centro, com suas normas, processos, estruturas e burocracias. E que os clientes e as pessoas é que giram em torno dela. Precisamos sepultar essa ideia morta, pois no mundo corporativo o centro do universo não é a empresa, mas sim os clientes e as pessoas. A empresa deve girar em torno desses personagens e não vice-versa como ainda pensam alguns executivos e vários teóricos e acadêmicos do management. Por isso, defendo a Era do NeoManagement, na qual clientes e pessoas devem estar no centro das decisões empresariais. E as turmas do RH e do comercial-marketing têm de sair de suas confortáveis caixinhas burocráticas e andarem mais de mãos dadas…

Doze homens e uma sentença, encenada no Garrick Theatre, em Londres:
processo decisório

Sobre o momento que passamos: estamos discutindo mais e mais a importância de valores na vida dentro e fora das empresas. O que a arte pode nos ensinar sobre isso?
Muito. A arte está cheia de ilustrações sobre a importância dos valores para a tomada de decisões. Na literatura (O outono do general), no teatro (O sucesso a qualquer preço), no cinema (O lobo de Wall Street). Destacaria O sacrifício de Isaac, pintado por Caravaggio em 1603. A tela representa Abraão prestes a cumprir uma ordem de Deus que, para provar a obediência do outro, exigiu que ele sacrificasse seu único filho, Isaac. Esse episódio está descrito na Bíblia em Gênesis, 22. A pergunta é: o que você faria se recebesse tal ordem?
 
Um clássico do teatro e cinema, Doze homens e uma sentença traz quais ensinamentos sobre liderança? Aliás, que outras obras trazem lições sobre esse tema?
Esse belo filme e ótima peça teatral retrata o processo decisório, ilustra a necessidade de o líder ouvir a todos e evitar o “efeito manada”, quando a maioria vai para um lado e a pressão do grupo é para que os minoritários cedam e acatem o desejo ou a percepção da maioria. Na peça e no filme, um único dissidente acaba pondo em dúvida o acerto de uma decisão que parecia inevitável, e o questionamento traz muitas luzes sobre o que parecia ser óbvio. Há uma pintura também clássica, O julgamento de Páris, cujo tema inspirou vários artistas e que mostra o rapaz Páris instado a escolher de três deusas a mais bonita. Processo decisório fascinante, assim como as consequências da escolha, os benefícios da escolhida e os ciúmes despertados pelas que são preteridas. Criar o melhor processo para tomar decisões em uma empresa é um desafio constante e o RH precisa entender como isso é feito em sua empresa e tentar ajudar os líderes a aperfeiçoarem-no, sempre ouvindo diferentes perspectivas por mais absurdas que pareçam à primeira vista e analisando sempre as consequências das decisões tomadas. O maior problema de alguns RHs é que não se expõem, têm receios e nem sempre são assertivos em suas posições. Alguns capitulam muito aos desejos dos CEOs, CFOs e diretores comerciais. Ainda não se posicionaram e tendem a embarcar no status quo da empresa por questões de sobrevivência pessoal no cargo. Sugiro que assistam a esse filme ou à peça e percebam que saber questionar é uma competência a ser adquirida. O RH tem de ser um parceiro saudável e assertivo do líder e não um mero executor do que o líder deseja, pois ele quase sempre precisa de ajuda para decidir melhor.
 
Shakespeare é uma grande referência também por meio de Henrique V, não? Qual aspecto você destacaria?
Uso muito as obras de Shakespeare em meus eventos, mas de forma light, sem a pieguice ou a pretensão de discussões muito eruditas que acabam ficando num ciclo auto-oclusivo e até mesmo pernóstico. Baixo a bola e procuro ajudar a interpretar os dramas e as tragédias propostas por ele de uma forma pragmática e agradável e compreensível: Hamlet e os dilemas existenciais de um líder; Macbeth e a ambição desmesurada de alguns líderes; Henrique V e a defesa de uma causa e a capacidade de inspirar suas tropas para ganhar uma batalha quando estão em desvantagem de nove para um… Os líderes precisam se deixar provocar pelas obras de Shakespeare, mas não precisam ler tais textos; pelo menos devem assistir a peças, ver filmes sobre essas obras.

Como usa esse arcabouço em seu trabalho junto aos clientes?
Sempre recomendo que os participantes de eventos que conduzo leiam um livro, assistam a uma peça, vejam um filme e visitem uma exposição. Nos programas de Liderança que coordeno, por exemplo, esse é um “dever de casa” e nas sessões mensais exploramos cada um deles. No início, muitos participantes acham estranho, mas, depois, acabam pedindo mais sugestões. Um deles, hoje um jovem CEO de uma média empresa, recentemente me disse: “Minha vida mudou depois do nosso evento em 2010. Eu não gostava de ler, nem de ir ao teatro ou exposições. Hoje não consigo mais viver sem isso”. Esse reconhecimento simboliza a melhor remuneração que posso ter.

Roteiro básico 
César Souza dá alguns conselhos para quem quer conhecer mais, ou melhor, a riqueza das artes

Primeiro: procure aprender muito além da sala de aula e dos eventos formais.

Segundo: abra seu coração, tenha humildade, seja curioso e construa passo a passo sua trajetória no mundo das Artes. Não tenha receio de saber pouco. Sinta a emoção de parar defronte de uma obra de arte e sentir, procurar entender o contexto daquele artista e do momento. Pense nas lições que essa obra pode ensinar. Vá a exposições, leia resenhas sobre as artes, compre livros sobre arte. Lembre-se de que a vocação do artista é projetar a luz nas profundezas do coração humano…

Terceiro: não se limite a ir a museus. Na próxima viagem ao exterior, procure visitar as residências e locais onde os artistas nasceram, viveram e trabalharam.

Quarto: busque os aprendizados para a gestão de pessoas e RH e management em três outros campos do conhecimento: História, Filosofia e Artes.

Quinto: nos momentos de lazer, aprenda a apreciar a boa gastronomia e os vinhos, pois cada prato e cada tipo de vinho tem uma história interessante sobre management e pessoas.

É dessa forma, com essas cinco posturas perante a vida e o aprendizado, que saio da caixa tecnicista do management: juntando o útil ao agradável!

 

Catálogo de destaque 
Até tu, Jagger?

Da pintura à literatura, passando pela arquitetura, futebol (quando ainda era uma arte…) e outras manifestações artísticas: quais são os autores e as obras que estão na lista de favoritos de César Souza? O baiano Caetano Veloso está nesse rol, dividindo, na música, espaço com Mick Jagger. Quer saber mais? Então, acesse o site da revista MELHOR e confira! www.revistamelhor.com.br

 

COMPARTILHAR
Artigo anteriorTempus fugit
Próximo artigoBrasileira, e com visão global
Gumae Carvalho é editor de MELHOR – Gestão de Pessoas, revista oficial da ABRH. Antes, também trabalhou nas revistas Educação e Ensino Superior. Foi professor na Faculdade Cásper Líbero (onde se formou em 1993), assessor de imprensa, consultor editorial e um dos criadores do fanzine (e depois revista) Panacea.

comentários