Estamos na década perdida?

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DROPS GERENCIAIS | Edição 339

RH precisa influenciar os movimentos de inovação nas organizações

Inovação na crise econômica
Dorival Donadão é consultor em gestão e desenvolvimento humano / Crédito: Divulgação

Em tempos de crise, sem perspectivas de reversão, todos nós, profissionais de recursos humanos, corremos o risco de assumir níveis desnecessários de cautela, desenvolvendo, mesmo sem perceber, um conservadorismo precoce, a defesa de posições que até mesmo os acionistas ou os principais dirigentes da organização ficam reticentes em patrocinar.

Não há nada mais contaminador do que a desesperança. E, convenhamos, existem inúmeros fatos nos ambientes político, econômico e social do país que dão respaldo à nossa falta de esperança. Nesses momentos, entretanto, é que precisamos reverter o ciclo negativo e encontrar, de forma consistente e pragmática, um caminho de superação.

E esse caminho pode estar latente, disponível e forte o suficiente para renovar a capacidade mobilizadora de recursos humanos. Um exemplo: a inovação. Embora aparentemente fora do contexto dos momentos de crise, o espírito inovador pode ser a resposta para o sentimento de “década perdida” que vem contaminando os analistas de cenários no Brasil e que tem respaldo suficiente para negativar nossas esperanças.

Pode-se até argumentar que o tema inovação não é responsabilidade funcional de RH. Pode ser, mas é exatamente por esse motivo que devemos influenciar a empresa como um todo para “sacudir a poeira” dos clichês e provocar novas formas de pensar e agir em meio às dificuldades.

Afinal, é nossa missão a busca e o desenvolvimento permanente das competências vitais do negócio e das pessoas, não é isso? Pois, então, a competência crítica na turbulência é sair da turbulência…

E o espírito inovador, estimulado e disseminado pela área de RH, pode ser o oxigênio para a transição do modelo de negócio, a ampliação da competitividade, a melhoria da produtividade.

Por onde começar? Pelo macrodesenho da inovação possível. Talvez seja mesmo fora do contexto a inovação disruptiva, a “tempestade eterna da destruição criadora” como profetizava Joseph Schumpeter, renomado economista austríaco da primeira metade do século 20. Mas é bastante razoável estabelecer ganhos progressivos de eficiência e de motivação por caminhos criativos e novas formas de encarar a realidade.

Como dizia Henry Kissinger (velha raposa na história governamental dos EUA), “a ausência de alternativas clarifica maravilhosamente a mente”.

O contexto de dificuldades do nosso “momento Brasil” pode reproduzir exatamente esse quadro: a falta (aparente) de alternativas pode gerar saídas inovadoras e gratificantes para as pessoas e para as organizações.

É tempo de renovação e de quebra das contaminações pessimistas. Não existe “década perdida” no Brasil e sim o risco da desesperança. Vamos reverter esse risco e retomar a autoconfiança do RH.

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