Fazer valer o esforço

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Oliveira, da Vale (à dir.): novas habilidades e espírito empreendedor

Encontrar outras competências e habilidades por meio da doação de parte de seu tempo e trabalho a uma causa. Isso foi o que aconteceu com Edimílson Oliveira. Ele trabalha na Vale como técnico de controle de processos e há oito anos passou a atuar como voluntário em um projeto na cidade mineira de Itabira. Trata-se do grupo Vira-Latas, que coleta latas de alumínio descartadas nos restaurantes da mineradora e as vende para uma recicladora. Nesse tempo, ele desenvolveu habilidades que não conhecia. “Tive de interagir mais com as pessoas, fechar parcerias com instituições, descobrir um lado empreendedor em mim”, conta.

Com dez anos de história, o grupo Vira-Latas tem sua atuação reconhecida pela mineradora e receberá uma doação de 6 mil reais por ter conquistado o primeiro lugar no Prêmio Voluntários Vale 2015, que contemplou ações realizadas em seis estados. Além de Oliveira, outros 14 funcionários da Vale integram o grupo que coleta as latinhas descartadas e que, até agora, com o dinheiro arrecadado com a venda desse material já comprou 150 cadeiras de rodas e, em 2014, montou uma oficina para fabricação de esquadrias de alumínio que beneficia 22 dependentes químicos em recuperação.

Em sua sétima edição, o prêmio é organizado pelo Programa Voluntários Vale, que tem como objetivo estimular o desenvolvimento local e o crescimento pessoal do empregado, proporcionando benefícios para ele e para a comunidade. No ano passado, foram realizadas 267 ações, que envolveram sete mil voluntários e beneficiaram mais de 53 mil pessoas. Nos últimos quatro anos foram mais de mil ações.

Além do grupo Vira-Latas, outros nove grupos de voluntários do Maranhão, Pará, Rio de Janeiro, São Paulo e Sergipe foram reconhecidos e receberão doações em dinheiro que, somadas, chegam a 30 mil reais. A escolha foi feita por um comitê integrado por diretores da empresa. Na votação popular, feita pela internet, o projeto Vira-Latas também foi o vencedor.

O grupo já havia sido finalista do Prêmio Voluntários Vale duas vezes: em 2013, com a compra e doação de cadeiras de rodas a partir da venda das latinhas doadas pela Vale; e em 2014, com um projeto de fabricação de colmeias pelos internos da Associação Municipal Assistencial Itabirana (Amai), que acolhe e trata dependentes químicos, em parceria com um apiário local.

Com o prêmio de quatro mil reais obtido no ano passado, o Vira-Latas pôs em prática o projeto que ficou em primeiro lugar este ano. Na oficina de esquadrias, os internos fabricam portas e janelas, aprendem uma profissão e geram renda a partir da venda dos produtos.

Entre os premiados em 2015 estão também ações de educação, saúde, assistência, empreendedorismo e qualidade de vida, como um projeto de apoio às vítimas de acidentes com barco a motor em Belém (PA), que ficou em segundo lugar, e a readequação do centro cirúrgico da Santa Casa em São Luís (MA), o terceiro colocado. O Prêmio Voluntários Vale foi criado em 2009 para incentivar as ações dos Voluntários Vale. Já foram distribuídos nesse período mais de 220 mil reais em prêmios.

Postura responsável

O Programa Voluntários Vale foi criado em 2004 para reconhecer e apoiar iniciativas já existentes de empregados que, espontaneamente, desenvolviam ações voluntárias. Atualmente, está presente em dez estados do Brasil (Bahia, Espírito Santo, Pará, Maranhão, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Sergipe), sendo composto por 30 redes locais, os comitês regionais. Além disso, em 2012, foi implementado na Malásia e, em 2013, em Omã.

“O programa busca incentivar uma postura socialmente responsável dos empregados, fortalecer a relação da empresa com a comunidade, estimular o exercício da cidadania pelos empregados e contribuir para o desenvolvimento das localidades onde a Vale atua”, explica Renata Mazoco, gerente de engajamento, cultura, diversidade e inclusão.

 

No pódio 
Confira alguns dos finalistas do prêmio:

> Vira-Latas: transformação do alumínio em empreendedorismo
Itabira (MG)
22 beneficiados
O grupo de 15 voluntários coleta latas de alumínio dos restaurantes da Vale e as vende para reciclagem. Com o dinheiro arrecadado, doa cadeira de rodas para idosos. No ano passado, o grupo já foi premiado pela Vale e utilizou o dinheiro para montar uma oficina de fabricação de esquadrias de alumínio para dependentes químicos tratados pela Associação Municipal Assistencial Itabirana.

> Traçando o recomeço
Belém (PA)
40 beneficiados
Os cinco voluntários fizeram atividades para geração de renda e ressocialização de vítimas de escalpelamento (mulheres que têm os cabelos presos no motor dos barcos e perdem o couro cabeludo). A parceira foi a ONG dos Ribeirinhos Vítimas de Acidentes de Motor, que atua em um problema recorrente nos rios da Região Norte e tem como objetivo resgatar a autoestima e a motivação dessas mulheres.

> Adequação do centro cirúrgico da Santa Casa de Misericórdia do Maranhão
São Luís (MA)
7,2 mil beneficiados
Em inspeção no hospital foram detectados problemas no centro cirúrgico, que sofria ameaça de interdição. Três voluntários engenheiros e técnicos elaboraram estudos e projetos para adequação do centro cirúrgico e os ofereceram gratuitamente à Santa Casa.

> Corações amigos
Rosário do Catete (SE)
20 beneficiados
Um grupo de 30 voluntários realizou a recuperação das instalações do Lar Menino de Santo Antônio, que recebe crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. Além disso, foram promovidas atividades como pintura, leitura e esporte e a conscientização dos internos em temas como respeito, higiene pessoal e limpeza dos espaços.

> Horta comunitária
Tucumã (PA)
120 beneficiados
O objetivo da horta comunitária foi melhorar a qualidade da alimentação das crianças mantidas pela Associação Casa de Misericórdia de Tucumã. Foram envolvidos 50 voluntários da Vale, que promoveram o cultivo de hortaliças hidropônicas. O excedente da produção é vendido para gerar renda e custear a manutenção do projeto.

> Cultivando a leitura
Itaguaí (RJ)
270 beneficiados
Foi implantado um projeto para incentivar a leitura na Escola Municipal Sylvia Souza Siquineli. Os 60 voluntários arrecadaram 1,5 mil livros, revitalizaram a sala de leitura e promoveram atividades, como rodas de leitura, dramatização, empréstimo de livros, entre outras.

> Prepara
São Paulo (SP)
12 beneficiados
O projeto é uma ação de mentoria para os internos que estão prestes a completar 18 anos e deixar a Associação Maria Helen Drexel, que acolhe crianças e adolescentes. Os internos de 14 a 17 anos foram orientados durante seis meses para aumentar as suas possibilidades de inserção no mercado de trabalho. A preparação incluiu 14 voluntários, 135 horas de mentoria e 85 encontros dos voluntários com os jovens.

> Xadrez na escola
Parauapebas (PA)
20 beneficiados
O projeto reuniu dez voluntários e teve como objetivo implantar uma metodologia em que o xadrez fosse visto como um suporte pedagógico para o desenvolvimento disciplinar e não apenas uma modalidade esportiva. Os alunos aprenderam o jogo, ganharam o material didático e tiveram acompanhamento no rendimento escolar.

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