Investir em tempos de crise

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Eliana Dutra é coach e diretora da Pro-Fit Coaching & Treinamento / Crédito: Divulgação

Economistas, empresários e os profissionais de mídia, todos estão de acordo que a recessão no Brasil é iminente e afetará a todos. De acordo com os dados do IBGE, se compararmos o segundo trimestre de 2013 com o mesmo período em 2014, a economia encolheu cerca de 1%, o que, aparentemente, é pouco, mas representa um rombo de aproximadamente R$ 50 bilhões em renda e serviços. E as perspectivas para este ano não são as mais animadoras. Investidores e analistas do mercado financeiro, ouvidos pelo Banco Central, estimam que em 2015 esse número seja de 0,42%. E a produção industrial deve encolher 0,43%. Diante disso, a maioria das empresas apressa-se para cortar os custos, mas será que esta é mesmo a melhor estratégia? Da mesma forma que se diz que para ganhar na Bolsa de Valores é preciso vender na alta e comprar na baixa. Pode ser que o melhor a fazer para que a companhia cresça neste cenário seja investir.

Há alguns anos um grande campeão de Fórmula 1, quando perguntado qual era o seu segredo para ganhar inúmeras corridas, respondeu: quando há um acidente na pista todos reduzem a velocidade, eu, ao contrário, acelero. Não sabemos se é de fato o que ele fazia, mas temos a ciência de que neste tipo de cenário os executivos tendem a “apertar os cintos” e suspender imediatamente os investimentos. Enfim, fazer mais com menos.

Até aí nada de errado, mas se o olhar for de longo prazo, a pergunta será: como sair desta crise na frente da concorrência? Esta pode ser a hora tão esperada de trocar um funcionário que não está indo bem por outro de maior potencial, ao invés de simplesmente cortar vagas ou só manter o quadro. Outro ponto é acelerar o desenvolvimento das pessoas. Isso mesmo. Gastar tempo e dinheiro para treinar os funcionários e auxiliá-los no aperfeiçoamento de suas capacidades e habilidades, já que o desempenho humano é o principal diferencial para os negócios. Para se ter ideia da importância disto, estima-se que cerca de 300 milhões de dólares são perdidos anualmente nos Estados Unidos pela falta de motivação dos funcionários, segundo dados do Instituto Gallup.

O setor automobilístico, por exemplo, passa por uma situação complicada com a produção em queda e altos estoques, porém há empresas do ramo que não só criam como mantêm seus programas de treinamento como, por exemplo, a Volkswagen, que possui uma escola de excelência, e a Ford, que tem um programa internacional profundamente enraizado em coaching. Este é o momento de todos compartilharem os conhecimentos, o entendimento das necessidades dos clientes por meio de treinamentos comportamentais e coaching dos gestores.

Essas empresas compreenderam que quando a crise acabar elas terão os melhores colaboradores do mercado e os mais “fidelizados” à empresa onde trabalham. Isso porque o investimento é reconhecido pelos membros da equipe, gerando assim vínculo de confiança e lealdade. O líder inteligente percebe que, se investir no capital humano constantemente, estará muito à frente da concorrência, com a economia estagnada ou não.

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