Memórias de um Gerubal

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Quem ingressa hoje na carreira de RH não tem ideia do que era exercer a profissão nos tempos em que essa área não passava de um departamento de pessoal. A fundação da ABRH-Brasil se deu nesse período, no dia 13 de novembro de 1965. Foi também na década de 1960 que a TV Record exibiu um programa intitulado Papai sabe nada, de onde nasceu um personagem que viraria símbolo do profissional de RH daquela época.

Um dos mais experientes profissionais dessa área no país, Roberto de Mello e Souza, relembrou essa história em matéria publicada, há dez anos, nas páginas da ABRH no jornal O Estado de S. Paulo. “O personagem principal era o humorista Renato Côrte Real, que desempenhava o papel de um empresário, dono de uma fábrica de chupetas. Nela, um funcionário encarnado por outro humorista, Durval de Souza, se apresentava como Gerubal Pascoal, chefe do pessoal. Era um profissional passional, desorganizado e sem técnica alguma. O programa desapareceu sem deixar marcas, a não ser a do Gerubal Pascoal, que virou jargão administrativo”, disse Mello e Souza, falecido em 2005. Em 2004, ele lançou a autobiografia Memórias de um Gerubal – A história (vivida) da administração de pessoal no Brasil de 1945 ao século XXI (Editora Senac Rio).

Como aponta o título do livro, sua experiência profissional teve início bem nos anos 40, antes da criação do Gerubal Pascoal. Quando iniciou sua carreira, salientou Mello e Souza, não havia escolas de administração de RH, cursos de especialização, nem treinamento para os profissionais da área. “Éramos improvisadores, vestíamos muito bem a pele do Gerubal”, descreveu ele, que começou trabalhando em uma fábrica de cobertores no interior paulista.

Boa parte do que aprendeu nessa época deveu-se à pratica do dia a dia e ao fato de ser um autoditada. Na fábrica, ele vivenciou a dura realidade de uma empresa familiar e paternalista dos anos 40, cujo administrador de pessoal era um mero burocrata.

No livro, ele conta que as broncas aos subordinados eram imprescindíveis à manutenção da autoridade e havia o peculiar prazer de descobrir erros para exercer a autoridade. Um prazer que aumentava proporcionalmente à hierarquia do repreendido.

Da fábrica, Mello e Souza foi para a Ford, depois virou consultor, voltou à Ford e, mais tarde, ingressou na Ferrovia Paulista S.A. (Fepasa), então pertencente ao setor público, como diretor de RH e organização. Esta última ele considerou o maior e mais belo desafio de sua vida profissional. “RH sempre teve influência nos resultados da empresa, mas de um tempo para cá surgiu a expressão RH estratégico para agregar valor ao produto”, disse. (TG)

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