Motor da mudança

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Rafael Cichini é CEO da Just Digital e presidente da Associação Drupal Brasil / Crédito: Divulgação

As empresas fazem as contas e apertam o cinto para sobreviverem. Entretanto, a saída não está apenas no corte de gastos e redução de despesas, mas na mudança da própria cultura que rege os processos da companhia. Para inovar e se destacar, é necessário pensar e agir de forma diferente do que o usual.

A transformação é possível por conta da evolução que a tecnologia proporcionou em todos os setores. Hoje, a nova norma no âmbito corporativo consiste em ser melhor, mais barato, rápido, menor, personalizado e mais conveniente do que seus concorrentes. Essas características dificilmente serão atingidas por corporações com modelos tradicionais de gestão, baseados em hierarquia e sistema vertical. Uma comparação exemplifica essa diferença: enquanto o Google, um dos expoentes do modelo mais “moderno” de administração, fatura US$ 362 bilhões com 26 mil funcionários, a tradicional IBM arrecada menos da metade com 15 vezes mais colaboradores! Como se vê, um número menor de profissionais não representa um ganho menor de capital – desde que a cultura estimule a criatividade.

Assim, a cultura ágil torna-se um dos pilares para o sucesso de qualquer empresa, principalmente em um momento instável como este. O conceito possui uma série de princípios que auxilia as pessoas a receber as novidades e até direciona projetos para o sucesso, gerando mais valor de negócio e economia. Nem é necessário discutir métodos ou modelos. Aqui, a ideia envolve pensamento, cultura e engajamento. São práticas para uma gestão descentralizada, com uma cultura de autogestão, aprendizado e investimento em estruturas horizontais de colaboração baseadas exclusivamente em confiança.

Sem essa mudança, as organizações não conseguirão acompanhar os novos desafios que a crise traz. Não adianta reduzir gastos e trazer novas soluções tecnológicas se todos ainda pensam em um modelo antigo. As grandes alterações só são possíveis se há uma modificação na maneira de pensar. É comum ouvir um discurso sobre ações inovadoras, mas o que se vê na realidade são corporações tentando adotá-las à moda antiga. Dessa forma, a habilidade dos colaboradores é utilizada de forma ineficiente, comprometendo o resultado final.

Em tempos de crise, recessão e mudança, é necessário economizar, mostrar resultados e estar pronto para mudar de direção rapidamente. O esforço em tentar atingir, com um único tiro, o alvo certo. Nesse cenário, o duelo entre um modelo de gestão mais criativo e a mentalidade mais tradicional já foi travado. Começar um novo método é difícil e exige paciência, mas é nos períodos de necessidade que surgem oportunidades de atuar de forma diferente e descobrir novos conceitos. Afinal, a mudança é contínua: o que era tendência ontem já virou realidade hoje e estará obsoleto no futuro. Portanto, a companhia só consegue crescer e afastar a crise se a sua cultura corporativa estiver pronta para entrar de vez nessa transformação ágil.

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