Na mira certa

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Henriley Domingos é sócio da consultoria Doctor Trade / Crédito: Divulgação

É fato que a crise econômica no país tem alterado drasticamente a dinâmica de muitas empresas. Atualmente, as salas das diretorias e da alta gestão são ocupadas, em quase todo o tempo, com reuniões, planilhas e estudos na tentativa de encontrar caminhos para atingir um resultado satisfatório e não fechar o ano no vermelho. Em paralelo, um outro fator que se tornou mais presente nas organizações: a possibilidade real de demissões. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego no segundo trimestre deste ano chegou a 8,3%, o maior índice desde 2012.

É evidente que a saída da crise passa inevitavelmente pelo nível de comprometimento dos colaboradores. Aliás, segundo pesquisa divulgada recentemente da Harvard Business Review, 87% do sucesso ou fracasso de um negócio está ligado aos fatores internos de uma companhia.

Portanto, um dos maiores desafios é manter a equipe motivada e focada também nos momentos de maior turbulência. Acredito que, nesse sentido, cinco orientações são fundamentais para sustentar essa relação da forma mais positiva possível. Uma delas é ser transparente. Ou seja, apresente a

situação e os desafios de seu negócio de forma clara e transparente. Essa transparência mantém o bom clima organizacional e, de certa forma, evita especulações. Outro ponto é estipular metas de curto prazo: estabeleça objetivos e faça planos de ação com prazos mais curtos e comemore seu atingimento. Cultive um ambiente positivo.

Dar feedbacks é outra importante orientação: é preciso valorizar os colaboradores e mostrar a importância de cada função e o papel que desempenham dentro da empresa, sobretudo no momento de turbulência. Quando o colaborador percebe que é valorizado, a tendência natural é que se dedique em busca de melhores resultados.

Manter os funcionários informados também é crucial. Sustentar a equipe sempre alinhada às estratégias da empresa faz com que as pessoas se sintam mais abertas a contribuir com novas ideias. É nessa hora que se destaca o profissional criativo e flexível, que sabe lidar com as emoções e com os novos desafios.

Por fim, outro item de destaque refere-se a dividir os bons exemplos. Ou seja, incentive seus colaboradores a pensar “fora da caixa”. Ressalte a importância de cada contribuição. Reconheça e compartilhe cada iniciativa trazida e estimule os demais.

As lideranças precisam ser firmes e, ao mesmo tempo, pacientes – e devem evitar a ansiedade e a preocupação demasiadas, justamente para não alimentarem a insegurança. O maior envolvimento e participação direta do líder, com novas ideias e soluções, aumenta a motivação de toda a empresa e, por consequência, a produtividade, tornando o negócio fortalecido para enfrentar a crise.

Portanto, antes de olhar para fora, para o mercado, em busca de desculpas ou culpados, ou até mesmo de soluções externas mirabolantes, os gestores devem olhar para dentro de suas empresas e buscar fatores internos que podem ser ajustados, mudados e melhorados, considerando sempre o potencial de contribuição de cada um, para a saída de um momento difícil.

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