Não há inteligência artificial sem a inteligência natural

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Por Felipe Waltrick*

O ano é 2050. Os carros ainda não voam, até porque perderam espaço para os drones, mas, ao menos, já são movidos à energia limpa, são autônomos e estão conectados a tudo. Aliás, internet não é mais aquele serviço vendido por operadoras de telefonia com preços absurdos e pacotes com limites de acesso. Estar conectado é algo tão comum como respirar.

A velocidade de acesso atingiu tamanha capacidade, e sem interrupções, que deixou de ser assunto em sites de reclamações há décadas. Os dispositivos não são mais chamados de ‘Smart’, visto que a tão esperada internet das coisas já se mostrou, fundamentalmente, necessária na vidas das pessoas. Agora, uma simples geladeira envia alertas quando alimentos estão prestes a vencer e faz a compra do mês. As lentes de contato, agora, projetam, em realidade virtual, quaisquer informações com um simples comando de voz.

As pessoas de 2050 interagem com a tal inteligência artificial em níveis mais complexos, praticamente, estabelecem uma comunicação fluida e objetiva, com uma administração de tempo totalmente otimizada na vida pessoal e profissional.

A divisão da vida pessoal com a profissional deixou de existir com o crescimento do home office em meados de 2020, quando empresas e colaboradores perceberam as vantagens e economia desse modelo. A partir daí, surgiu o modelo mobile-office, onde as pessoas trabalham não apenas em casa, mas em qualquer lugar, em uma cafeteria, no carro, no restaurante, no transporte público e, algumas vezes, obviamente, no escritório.

O ambiente de trabalho deixou de ser um espaço com mesa, cadeira, lixeira, porta-canetas e fios, os quais são itens do passado. Em 2050 todos usam um novo dispositivo de pulso capaz de realizar tarefas que antes se fazia necessário ter um laptop ou desktop para isso. Absolutamente tudo é gerenciado por voz, gestos, temperatura corporal, batimento cardíaco e toques únicos.

O ano é 2017. O assunto do momento é inteligência artificial. Enquanto muitos têm medo de como ela pode tomar controle de nossas vidas no futuro, outros estão apostando nessa tecnologia sem receio. A verdade é que, por mais que exercitemos um possível cenário de futuro, ao final, tudo não passa de especulação.

Ao relacionar a capacidade da inteligência artificial com a capacidade de evoluir é possível perceber que as limitações são justamente o que torna as pessoas especiais. A você, profissional de RH, que é atento à importância de dar voz aos sentimentos dos colaboradores, a sua inteligência natural, imperfeita, limitada sempre será a essência que transforma os Recursos Humanos na melhor oportunidade para fazer evoluir as Relações Humanas. Por isso, abrace o futuro e as pessoas, sem medo de errar. Afinal, herrar é umano.

* Felipe Waltrick é diretor de tecnologia da iFractal, com mais de 20 anos de experiência em desenvolvimento de software

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