Novas perspectivas para o RH

0
1876

CONARH: 28 mil participantes inspirando a arte da gestão de pessoas

Quatro dias, 28 mil participantes, 140 empresas na feira de negócios. Os números finais do CONARH 2015 dão ideia da sua grandiosidade e confirmam a posição de maior evento de gestão de pessoas da América Latina, mas a dimensão do que aconteceu no Transamerica Expo Center, em São Paulo, onde o congresso e a Expo ABRH foram realizados em agosto, só é possível de saber através dos depoimentos de quem esteve lá:

â–º “Levo para casa confiança no futuro e a certeza absoluta de que a gente pode ajudar a construí-lo.”

â–º “O cenário econômico é igual para todos. O que faz a diferença é a forma como a gente vai lidar com ele. Temos de sair da posição de lamentação e olhar para a frente com otimismo e com a proposta de nos reinventarmos.”

â–º “Levo inspiração para dar continuidade ao nosso trabalho na empresa e esperança de sermos de fato protagonistas.”

â–º “Estamos em uma jornada que não tem volta. E o ponto de ruptura é que nós, profissionais de RH, temos de pensar como gestores de negócios para que a gestão de pessoas possa efetivamente acontecer.”

â–º “O que levo de mais forte é a responsabilidade que tenho sobre a minha vida, minha carreira e de influenciar as pessoas para deixarem de ser pequenos corruptos e não só reclamarem da grande corrupção.”

As declarações foram dadas no painel O que levamos para casa, realizado antes da palestra de encerramento. Nele, tradicionalmente, os coordenadores do CONARH apresentam as principais conclusões do evento, com base no que foi dito nas palestras dos presidentes de empresas, líderes de RH, personalidades do cenário nacional e especialistas em educação, saúde, relações trabalhistas e outras áreas correlatas à gestão de pessoas. Como a proposta deste ano era realizar uma edição diferente de tudo o que já foi feito, os coordenadores, em vez de falar, circularam pelo auditório para ouvir os congressistas.

Muitos temas ganharam as rodas de conversas entre os congressistas. Da gastronomia aos games, passando pelo protagonismo do RH e aos desafios que se apresentam diante de empresas e gestores. Com o tema central A arte da gestão de pessoas, o evento deixou transparecer a necessidade de olhar do artista, que transforma e se transforma. E esse processo de reinvenção foi um dos destaques da palestra de Anna Tavis.

Placar temido

Pegar uma folha em branco e recomeçar do zero as políticas de RH. Essa foi a sensação de muitos congressistas após a palestra de Anna sobre o RH de alto impacto. A professora da New York University, coach e consultora organizacional, sacudiu a plateia para a nova realidade das organizações. De acordo com ela, a área de gestão de pessoas precisa enxergar o mundo com as lentes das novas gerações, totalmente aclimatadas às mudanças tecnológicas disruptivas conduzidas nos últimos anos.

A professora mostrou números do crescimento da compra de smartphones e do uso de redes sociais que reforçam sua tese. “Caso a gente não consiga se adequar a essa realidade e não mude também o nosso ambiente de trabalho, não vamos conseguir entregar o que esses consumidores querem”, enfatizou.

Para ela, não há como tapar os olhos para essa nova realidade, e é hora de a área de gestão de pessoas repensar as práticas de RH com modelos de recrutamento e seleção mais avançados e novas políticas de relações de trabalho. “Se não tivermos respostas para essas mudanças que estão ocorrendo, seremos substituídos”, sublinhou.

A palestrante exemplificou que um dos principais gaps na área de gestão de pessoas é fazer o encontro entre as competências disponíveis no mercado de trabalho e as competências necessárias nas organizações. Mídias sociais, disse Anna, e ferramentas que usam sistemas de Big Data e Analytics podem facilitar esse processo. “Hoje, mais de 90% dos processos de recrutamento e seleção, ao menos na primeira fase, já ocorrem on-line.”

A palestrante ainda mencionou algumas ferramentas tecnológicas que estão sendo muito usadas nos EUA na área de R&S, entre elas a Gild, Talentbin, Remarkable hire e o temido Klout, rede social que mede a interação do candidato. “Muitas pessoas não conseguiram os empregos que desejavam porque tiveram pontuações baixas no Klout”, alertou, dizendo que cada vez mais as pessoas precisarão se expor para garantir relações sociais e trabalhistas nessa nova configuração social.

Mais um ponto essencial, na visão de Anna, é o uso da gamificação nos modelos de gestão de pessoas. Para ela, usar técnicas de games no ambiente de trabalho aumenta o engajamento das pessoas. “Não se trata de adolescentes jogando videogame, mas de ferramentas eficientes no dia a dia da área de RH” (veja box Mão na massa).

Para chacoalhar ainda mais os profissionais de RH, ela sugeriu que a área de gestão de pessoas abandone o famoso (e muito usado) modelo de avaliação de desempenho. Anna disse que essa iniciativa, conduzida inicialmente pela PwC e pela Delloite, tem recebido cada vez mais adeptos como a Dell, Adobe, Netflix, entre outros. “As pesquisas mostram que colaboradores não gostam de ser constantemente avaliados, isso leva ao desengajamento das equipes”, disse. Anna comentou que até a General Electric, empresa que criou o modelo de avaliação de desempenho, está sinalizando o abandono dessa prática. “Se de fato a GE tirar essa prática, muitas outras empresas a seguirão.”

Propósito, valores e liderança

Outro ponto que não ficou fora das palestras foi o atual cenário econômico do país. Como gerir as pessoas em momentos de crise é a pergunta da vez. E para responder a essa pergunta, o CEO da Samarco, Ricardo Vescovi, deu uma resposta simples ao público do 41º CONARH: a partir de valores. “A gestão baseada em valores simplifica as coisas”, explicou. “Isso significa que eu compartilho o mesmo sonho que você na prática e vamos buscar superar as dificuldades juntos.”

Ele ressaltou que o que mobiliza as pessoas não é o lucro, mas a vontade e a possibilidade de transformar alguma coisa. “Estar engajado com os valores de uma empresa é estar sonhando junto um sonho que, individualmente, não se conseguiria realizar”, comentou Vescovi. Na visão dele, vem daí a força das equipes para superar fatores externos, como a atual crise econômica.

Para conseguir a coesão da organização pelos valores, o executivo acredita que a gestão de pessoas deve estar ancorada em quatro elementos: diálogo; simplicidade; transparência e abertura; e protagonismo da liderança. “A gestão baseada em valores começa com o líder. É ele quem vai sempre manter na cabeça das pessoas o porquê de elas estarem ali.”

Protagonismo

E por falar em protagonismo, vale lembrar o que disse Fábio Barbosa, líder empresarial, na palestra Os caminhos e soluções das empresas para o momento Brasil: “Reverter a crise de confiança em que vivemos, na qual o consumidor não consome, o investidor não investe e o banco não empresta, não é fácil. É preciso liderança. Somos nós que fazemos o país no dia a dia. Não devemos olhar o governo apenas, mas ao nosso redor. Há um provérbio chinês que diz: se cada um varrer a sua calçada, o país estará limpo!”.

Também participante da palestra, Tania Cosentino, presidente da Scheider Electric para América do Sul, lembrou que muito da dificuldade que as companhias no Brasil sentem hoje ainda é reflexo da crise de 2008. “Muitas empresas não fizeram a lição de casa. Jogaram os problemas para baixo do tapete em vez de trabalhar em disciplina financeira e produtividade”, diz.

Ela defende que a crise é o momento para se criar uma agenda positiva de discussões e exigir as mudanças necessárias no país. “Mas temos de fazer a nossa parte também. Qual o papel da sua empresa nesse cenário? Com qual diferencial competitivo pode contribuir?”, ressalta a executiva. Ela conta que a Schneider Electric percebeu que podia contribuir com eficiência energética e, nesse sentido, procura influenciar políticas públicas. Ela aponta a inovação como fator essencial para as empresas superarem a crise e a diversidade como meio de criar um ambiente na empresa favorável à inovação.

Também integrante da palestra, Pedro Passos, presidente do Conselho de Administração da Natura, afirmou que a companhia tem como premissa a ética, a transparência e a boa comunicação para manter o time coeso e enfrentar o cenário difícil. “Tomamos quatro medidas: 1) paramos de fazer tudo que não é importante e passamos a nos dedicar apenas ao que é fundamental para a empresa; 2) procuramos construir juntos as soluções e compartilhá-las, porque a equipe se mobiliza quando tem um direcionamento claro; 3) procuramos saber o que cada um faz e o que se espera de cada um; 4) estamos revelando talentos, lideranças que estão efetivamente engajadas com os objetivos da empresa, e afastando os burocratas”.

Tania apontou que a gestão de talentos é uma área de grande oportunidade para o RH fazer a diferença neste momento. “Não é papel só de RH, mas são vocês que têm as ferramentas e precisam desafiar os líderes. É a hora de preparar um plano sólido de sucessão, trabalhar em pipeline de liderança, competências e comportamentos e na comunicação transparente.” Para Barbosa, agora é hora de motivar. “Atitudes negativas não levam a nada. É preciso estimular o senso de propósito. Estimular a visão do copo meio cheio (veja box Quatro oportunidades para o RH).

Mais protagonismo

“Brasil mostra a sua cara/quero ver quem paga para a gente ficar assim/Brasil qual é o teu negócio?/O nome do teu sócio?/Confia em mim”, os versos da música Brasil, de Cazuza, cantados na abertura do CONARH 2015, e relembrados na fala de Nelson Sirotsky, presidente do conselho de administração do Grupo de RBS, deram o tom dos debates do 15° Fórum de Presidentes promovido pela ABRH-Brasil.

O evento, realizado no dia 13 de agosto e discutido durante a abertura do maior evento sobre gestão de pessoas da América Latina, reuniu cerca de 145 presidentes de empresas brasileiras para debater o impacto do atual cenário político-econômico do país no desempenho empresarial.

“Fica fácil terceirizar as dificuldades e problemas que enfrentamos no Brasil para governos, partidos políticos e lideranças. Nós brasileiros precisamos ser protagonistas das transformações do nosso país”, disse o executivo do Grupo RBS. Para ele, essa foi a principal mensagem deixada no fórum. De acordo com Sirotsky, a sociedade civil precisa focar uma reforma política para reverter o atual quadro, que pode representar a democracia, mas não os anseios atuais da sociedade.

Além dos gargalos político-econômicos, os executivos também citaram os desafios institucionais das organizações para um cenário de negócios mais promissor. Entre eles: a construção de planos consistentes e longevos, rever a cultura das empresas diante dos desafios da globalização e das redes interconectadas e gerar um ambiente de trabalho produtivo que atraia pessoas capacitadas.

Para Marcio Utsch, presidente da Alpargatas, o RH tem um papel de protagonista nas organizações diante dos desafios mencionados. “Os profissionais de RH são aqueles que entendem aquilo que nem sequer verbalizamos”, disse. Analisando esse protagonismo, Sirotsky, da RBS, também disse que cabe ao RH resgatar a confiança dos jovens talentos que buscam oportunidades no exterior. “O RH deve nos ajudar a reverter esse quadro de êxodo de profissionais que não acreditam e estão desistindo do nosso país”, finalizou.

Receita de sucesso

Liderança, trabalho em equipe e gastronomia foram alguns dos ingredientes da palestra A arte e o saber de ser e viver, da qual participaram Leyla, a apresentadora do reality show Masterchef Brasil, a jornalista Ana Paula Padrão, e a chef de cozinha e jurada Paola Carosella.

“É aquele momento em que se tem pessoas reunidas e que, por algum motivo, se dão muito bem.” É assim que Ana Paula resume a “mágica do trabalho em equipe” que fez os jurados Erick Jacquin, Henrique Fogaça e, é claro, Paola levarem o programa de televisão a tamanho sucesso audiência – mesmo tendo personalidades e estilos tão diferentes. “Não sei se foi porque a cozinha foi bem feita, se o produto [a marca Masterchef] é muito bom, mas o fato é que nós quatro criamos um grau de cumplicidade entre nós e com os participantes que fez aquilo dar certo”, explica a chef.

Leyla lembra que, além de competirem entre si, em algumas provas os participantes devem trabalhar em equipe para ganhar, e é nesse momento que surge a figura de um líder. Para Paola, existem conhecimentos capazes de transformar uma pessoa em um líder aos poucos, mas existem também os líderes natos. “Obviamente você pode aprender, se formar e crescer. Mas tem uma coisa natural que ajuda, que é saber se colocar com as pessoas.” Para Ana Paula, um aspecto fundamental da liderança é a justiça com sua equipe. “O que esperamos de um líder é que ele seja justo. Tem líderes, por exemplo, que o são por técnica, e existem vários tipos de liderança. Mas se o líder for uma pessoa justa, é o básico”, completa.

Paola falou, enfim, de como a cozinha profissional depende de uma conjunção de fatores para dar certo, e que isso só é possível com um trabalho de equipe bem afinado. Na hora dos desligamentos de quem não está em harmonia com isso, ela defende que é necessário ter tato para que a pessoa saia com o sentimento de que tem qualidades, mas sabendo o que precisa melhorar. Para a chef, uma das maiores recompensas de ter restaurantes de sucesso é ver que, junto com os negócios, os funcionários também cresceram e melhoraram suas vidas e de suas famílias. É a recompensa para quem sabe trabalhar bem em equipe. (participaram da cobertura Carolina Sanchez Miranda, Fernando Oliveira, Karin Hetschko, Renata Silva e Thaís Gebrim)

O número 1 
O aplicativo do CONARH 2015, criado pela i9ação em parceria com a Goldark para promover a interação entre os participantes do evento, alcançou mais de 5 mil downloads e 365 mil interações. Com esses números, durante o congresso, ficou em primeiro lugar na categoria Business do ranking AppBrain.

 

Arte inspiradora 
Leyla, da ABRH-Brasil: olhar positivo sobre o país

Sucesso de público pelo conteúdo, ineditismo, inovação e estética, o 41º CONARH é resultado da soma de esforços dos diversos envolvidos na sua produção, direção e realização. Entre eles, a equipe de 28 consultores, diretores e vice-presidentes da área de Recursos Humanos, que dedicou mais de 500 horas de trabalho voluntário para chegar ao produto final.

Foram nove meses de troca até chegar aos temas e palestrantes que, com suas visões, análises e opiniões, estimularam o público a ver saídas para a crise do Brasil – seja do ponto de vista econômico, político, seja de confiança – e vislumbrar o futuro. Foi assim que a arte ganhou destaque e foi evidenciada no tema central A arte da gestão de pessoas – Desafios, incertezas e complexidade.

“Nosso olhar para o Brasil é bastante positivo. É impossível um país tão grande, com recursos humanos tão dedicados, não sair desta crise. Ao levar a arte para o CONARH, queríamos motivar os participantes. Arte nada mais é do que a expressão do cotidiano e tem o poder de nos estimular a nos revisitarmos, a fazermos uma retrospectiva sobre o nosso papel e a nossa cidadania”, resumiu Leyla Nascimento, presidente da ABRH-Brasil, no encerramento. E complementou: “Temos plena certeza de que, num momento como este, os profissionais de RH têm papel diferenciado nas empresas. Se atuarmos como protagonistas, poderemos transformar o ambiente organizacional”.

 

Mão na massa 
Profissionais de RH criam games para vencer desafios da vida corporativa

Colocar a mão na massa e criar um game. Essa foi a proposta do Game Jam, com os palestrantes Fernando Seacero e Felipe Vila, da I9ação, empresa especializada em gamificação em ambientes corporativos. Sair da zona de conforto e criar ferramentas alternativas para os problemas cotidianos das organizações foi uma tarefa abraçada por muitos. Porém, antes de os profissionais de RH se tornarem criadores de games, a dupla explicou a importância do uso da gamificação no ambiente corporativo. De acordo com Seacero, os games geram memória de longo prazo, pois estimulam três sistemas muito importantes para o funcionamento do nosso cérebro: o neocórtex (foco emocional), límbico (foco emocional) e reptiliano (foco ativo).

“Contudo, para que a plataforma propicie uma boa experiência aos jogadores, antes da implantação de qualquer projeto de gamificação é preciso ficar atento a alguns detalhes”, alertou Vila, elencando alguns desses pormenores: metas e regras claras, objetivo inspirador e comunicação fluida.

A dupla da i9ação concedeu 1h40 minutos aos profissionais de RH para a criação dos games. Todas as fases da elaboração dos jogos — tema, brainstorming, protótipo, playtest e degustação — contaram com a ajuda dos alunos de design de games da Anhembi Morumbi, os chamados mestres de jogos. Após colocarem a mão na massa, muitos congressistas saíram com boas ideias de como lidar com alguns desafios que enfrentam à frente do RH de suas organizações.

Game Jam: executivos experimentaram criar seus jogos

 

Quatro oportunidades para o RH 
Apesar dos indicadores negativos da economia brasileira, economista Dony De Nuccio aponta cenários positivos a serem explorados pelas organizações

“A crise chegou ao nosso dia a dia. Nela, há uma seleção natural: muitas empresas vão sucumbir e outras terão lucro. A pergunta é: de que lado a sua empresa estará?” Com essa provocação, Dony De Nuccio, economista e apresentador do programa Conta Corrente, da Globonews, deu início a sua apresentação no painel E agora, Brasil? Desafios e oportunidades no cenário econômico atual. Nuccio elencou sugestões aos gestores de recursos humanos para ajudar as organizações, por meio do capital humano, a ficar do lado vencedor da crise.

1. Forme um time vencedor. Na crise, você tem muita gente boa disponível no mercado de trabalho; saiba pescá-los e monte um time vencedor;

2. Adapte-se ao cenário;

3. Seja eficiente, diferente e fidelize e, por fim,

4. Inove.

De acordo com o apresentador, a atitude, agressiva ou branda, determinará como as empresas se posicionarão no mercado pós-crise. “Em momentos de crise, também aparecem muitas oportunidades”, comentou. Para ilustrar sua afirmação, Nuccio traçou um paralelo com a crise econômica norte-americana de 2008 e 2009. Naquele momento, surgiu o que hoje conhecemos como economia compartilhada, o consumo colaborativo de bens e serviços. Nuccio mencionou o caso da empresa Airbnb, que nasceu da ideia de alugar cômodos na casa dos fundadores da empresa, e hoje é um negócio de mais 10 bilhões de dólares.

No Brasil, segundo o apresentador, a história pode seguir o mesmo caminho. “Ainda temos muitas oportunidades na mesa.” Para ele, apesar de o atual cenário econômico não apresentar bons indicadores — tributos altos, o chamado custo Brasil elevado, rebaixamento dos graus de investimento —, há outros indicadores econômicos que ainda atraem investimentos externos para o Brasil, como a lucratividade atrativa e mercado pouco explorado quando comparado a mercados mais desenvolvidos.

 

comentários