O algoritmo do sucesso para um RH estratégico

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Por Felipe Waltrick*

Se você começou a ler este artigo esperando um algoritmo mágico para a gestão de pessoas, antecipo, logo de início, que ele sempre existiu, nada tem de mágico e está acessível o tempo todo. Mas antes, vale reforçar o significado de algoritmo. O algoritmo nada mais é do que um processo, um passo a passo, uma sequência bem definida de instruções. Assim como vale lembrar que ‘Sucesso’, em sua essência, é apenas o resultado de inúmeras tentativas, muitas delas fracassadas, mas que abre caminhos para obter resultados bem-sucedidos constantes. O sucesso não é um fim, mas um meio de evoluir. O melhor exemplo disso são as relações interpessoais.

Quando trazemos essa questão especificamente para dentro do ambiente corporativo, por mais que certos padrões de comportamento sejam facilmente observáveis no cotidiano dos colaboradores, as relações nos últimos anos têm se mostrado menos previsíveis se comparadas às dos últimos séculos. Isso fica bem evidente devido à velocidade na era em que vivemos, onde as informações não apenas circulam em velocidade assombrosa, mas causam um impacto profundo na vida das pessoas e, por consequência, no ambiente de trabalho.

As redes sociais são exemplos de como as pessoas têm exposto gratuitamente suas ideologias, pensamentos, frustrações, ódios, engajamentos etc., ou seja, uma mina de ouro para vender qualquer coisa, tangível ou não. Este cenário é visto como oportunidade para as empresas entrarem de cabeça na Era da gestão ‘métrica’, mensurando padrões de comportamento, tendências e mudanças dentro e fora da organização, tudo parametrizado para obter resultados cada vez mais precisos sobre o emocional dos seus colaboradores. A ideia de um algoritmo do sucesso para os gestores de RH nada mais é do que a habilidade de empatia. Parece algo simples, mas, embora alguns consigam usar mais, a verdade é que a maioria usa pouco ou quase nada ao analisar e tomar decisões quanto ao emocional dos colaboradores.

Atualmente, as empresas estão bem equalizadas no que se refere a recursos tecnológicos, de modo que possuir um sistema para gestão de pessoas da empresa X ou Y deixa de ser um grande diferencial se não houver – junto da aplicação dos conhecimentos técnicos e estatísticos – uma análise, cruzamento de informações e identificação das variáveis não visíveis nos gráficos, com um olhar humanizado.Quando os gestores de RH conseguem equilibrar cérebro e coração, ampliam sua capacidade de interpretar contextos e aumentam as possibilidades de acertar o ritmo e o pulsar da empresa. Adotar esse perfil, muitas vezes, requer paciência, treinamento com especialistas e, como dito no início, um trabalho
contínuo e focado.

Em resumo, para que o conceito de RH Estratégico não caia na banalização, se faz necessário compreender que o propósito das tecnologias existe para ajudar a resolver problemas para o homem, enquanto os problemas do homem continuarão sendo resolvidos
somente por nossa humanidade.

* Felipe Waltrick é diretor de tecnologia da iFractal, com mais de 20 anos de experiência em desenvolvimento de software

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