Os desafios de ser CEO aos 30

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    Por Eduardo L’Hotellier*

    Aos 26 anos, eu disse ao meu chefe que estava na hora de abrir meu próprio negócio. Ele provavelmente me achou louco e audacioso, mas me apoiou na decisão. Naquela época eu era mesmo. Até porque ainda em 2011 não era muito comum que jovens praticamente recém-saídos da universidade se jogassem no mundo do empreendedorismo deixando para trás empregos estáveis.

    Hoje, um número cada vez maior de jovens vem tomando a frente do mercado brasileiro e desponta na liderança de empresas inovadoras e promissoras. Segundo uma pesquisa do Sebrae, a taxa de empreendedorismo já é a maior dos últimos 14 anos. Nunca se empreendeu tanto. Os jovens seguem investindo em novos negócios, seja para realizar sonhos ou driblar a crise econômica. Os que mais se dedicam a empreender no Brasil têm entre 25 e 34 anos (22%), de acordo com o estudo Global Entrepreneurship Monitor (GEM).

    Iniciar um novo negócio ou assumir a liderança de empresas já estruturadas quando se tem menos de 30 tem lá suas dificuldades, mas também recompensas – e vão muito além do simples sucesso profissional. Relaciono abaixo aqueles que considero serem os principais desafios de um CEO que assume a liderança antes dos 30 anos.

    1. Aceitar que errar é importante
    Para muitos jovens perfeccionistas, errar é algo praticamente inadmissível. Não no mercado digital, onde é incentivado se arriscar cada vez mais para ir onde ninguém ainda chegou. Até mesmo os empreendedores mais bem-sucedidos não acertavam em tudo ao longo dos seus 20 e poucos anos.

    2. Gerenciar e motivar pessoas, incluindo as mais velhas
    Sem dúvidas captar talentos e engajar colaboradores é um dos desafios mais difíceis, ainda mais conforme a empresa cresce e se tem mais funcionários. Divididos entre desenvolver os negócios e motivar o time, quase sempre vamos para a primeira opção. Seguindo a lógica de que o sucesso da equipe é também o sucesso da empresa, é indispensável aprender a gerenciar e liderar melhor pessoas, potencializando talentos. Só assim conseguimos manter quem é bom do nosso lado no mercado. Isso inclui também gerenciar quem é mais velho ou experiente do que você. Combinar autoridade com respeito é uma das estratégias que uso para me posicionar. Além disso, tenho um time de líderes que são especialistas em suas áreas de atuação e me ajudam diariamente nos desafios do negócio.

    3. Conciliar vida profissional e pessoal
    Com o chegar dos 30 anos, as prioridades vão mudando e muitos empreendedores acabam por se dedicar quase que inteiramente à vida profissional. O ritmo é mesmo bem puxado e exige trabalhar muito duro para fazer o negócio virar. No começo da carreira como empreendedor não existe muito balanço entre vida pessoal e profissional, mas é algo que vai melhorando com o tempo e desenvolvimento dos negócios. Não digo que será fácil, porque é sim mais pesado do que ser apenas funcionário numa empresa, mas passa a ser mais sustentável.

    4. Aceitar ganhar menos por um (bom) tempo
    Considerando o mundo nada glamouroso de quem está começando na carreira solo, um dos pontos que mais tiram o sono dos jovens empreendedores é remuneração financeira. Todo início de carreira no empreendedorismo tem seus dias difíceis, que são quase sempre os dias úteis, na hora de pagar as contas. Mas, acreditem, isso também passa e melhora muito conforme o negócio se desenvolve.

    5. Ter determinação e foco (principalmente, quando as coisas não vão bem)
    Sem determinação, nós jovens empreendedores nadamos e morremos na praia. Dedicar tempo e esforço num negócio novo, sem a garantia de recompensa, não é tarefa fácil, mas o mais importante é não desanimar. Todo esforço tem sua recompensa, mesmo que seja apenas pelo aprendizado. Foque no problema que precisa ser resolvido no seu negócio, cerque-se de pessoas que o motivam e siga em frente.

    *Eduardo L’Hotellier é CEO e fundador da GetNinjas, uma plataforma que conecta clientes a prestadores de serviços

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