Os sinais vitais da gestão de pessoas

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Por Felipie Waltrick*

Para ilustrar esse tema, compare o monitoramento de frequência cardíaca em uma pessoa com o monitoramento dos colaboradores de uma empresa. Para aferir o pulso de uma pessoa é necessário o toque com os dedos em pontos específicos. Para aferir o pulso da empresa não é diferente. A empresa é um organismo vivo, que pulsa em uma determinada frequência e pode ser afetado por acontecimentos internos e externos.

Um grande problema, herdado de modelos convencionais de gestão, é quando esse monitoramento se baseia numa observação limitada, ou seja, quando o gestor acredita que está tudo indo bem bastando que os colaboradores cheguem e saiam em seus respectivos horários.

Atualmente, dentre os principais desafios dos gestores, estão as profundas mudanças culturais, o excesso de informação, os avanços tecnológicos, os baixos níveis de engajamento e, principalmente, a nova relação com o trabalho. Tudo está mudando rapidamente porque outros pulsos estão chegando nas empresas e é cada vez mais nítida a necessidade de se compreender as múltiplas perspectivas presentes na gestão de uma organização.

Nesse cenário, como é possível desenvolver as lideranças, os indivíduos e suas relações com o trabalho através da captação da topografia emocional e cultural das empresas? Para ir além das análises tradicionais de clima organizacional é preciso entender que, não apenas as novas tecnologias, mas as recentes metodologias devem ser implantadas como um novo começo, de modo que traga panoramas sofisticados, ágeis e mais precisos sobre o pulso da empresa. Isso não significa que os resultados anteriores, de outras metodologias, serão inutilizados. Significa que enxergar os colaboradores como um único corpo, onde cada parte possa ser aferida de modo especial, seja no individual ou coletivo, permite um diagnóstico sobre o que está ou não saudável dentro da empresa.

Imagine a eficiência de conhecer o estado emocional do seu colaborador antes mesmo que ele registre o ponto logo cedo e saber como interagir ao longo do dia, podendo ajudá-lo a melhorar, de modo que, ao final do dia, ele consiga registrar o ponto e voltar para casa melhor do que chegou. Qual o valor disso para uma empresa que busca por engajamento do coletivo?

Recentemente, um estudo realizado por cientistas suecos sugere que, quando um coral canta, os cantores não apenas harmonizam suas vozes; os ritmos cardíacos de seus integrantes ficam sincronizados. Com todas as possibilidades tecnológicas e de conhecimento humano disponíveis hoje, a gestão de pessoas pode atingir altos níveis com a regência apurada dos seus colaboradores. Afinal, quando a organização está em sintonia, é sinal de que o ritmo de crescimento está saudável.

* Felipe Waltrick é diretor de tecnologia da iFractal, com mais de 20 anos de experiência em desenvolvimento de software

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