Os temas em alta nos tempos de crise

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As empresas estão preparadas para lidar com profissionais com 60 anos ou mais?

É recente, mas muita gente já está sentindo saudades do tempo em que o Brasil do Pré-Sal e da Copa do Mundo era considerado a “bola da vez”, uma potência emergente em meio à crise econômica mundial. A aposta no crescimento era alta e, para dar conta do recado, as empresas aceleraram contratações, investiram em políticas sofisticadas de atração e retenção de talentos e intensificaram programas de qualificação profissional. Mas (sempre tem um “mas”) alguns obstáculos de percurso desviaram o país da rota. Alguns poucos anos e sete gols depois, o desafio é sobreviver ante uma economia enfraquecida, alta da inflação e do dólar e crise de confiança decorrente de casos como os do empresário Eike Batista e da Petrobras.

Hoje, empresas distintas em tamanho e segmento de atuação veem-se mais uma vez diante da necessidade de apertar o cinto. Como fazer isso sem abrir mão de iniciativas e talentos que favorecem a competitividade do negócio?

“O mundo corporativo exige urgência dos resultados e reações imediatas às situações. A gestão de pessoas apresenta uma oportunidade de combinar a esse cenário a dose certa de sensibilidade, observação e criatividade, para pensar e repensar velhos hábitos, de maneira a inspirar as pessoas a entregarem o melhor de seu profissionalismo”, avalia Leyla Nascimento, presidente da ABRH-Brasil.

É por acreditar nesse caminho que a associação traz para seu grande evento anual, o CONARH ABRH 2015, o tema central A arte da gestão de pessoas – desafios, incertezas e complexidade. A proposta é jogar luzes – com criatividade e pragmatismo – nos assuntos que mais tocam as empresas neste momento.

O melhor de cada um

“Já não era fácil fazer gestão de pessoas em um país que estava crescendo. Mas hoje, tendo de apertar o cinto, há uma mudança de foco. Precisamos criar programas diferenciados, fazer mais com pouco, enfim, ter muita arte e criatividade para dar os passos corretos”, assinala Sandra Gioffi, sócia-diretora de prática de strategy para talent & organization da Accenture para América Latina e uma das integrantes do comitê de criação do congresso.

Como conter custos sem perder o aporte já feito na gestão de pessoas? Como fazer o essencial para a organização sobreviver sem perder programas que sejam carros-chefes de competitividade? Essa é a abordagem da palestra A gestão de pessoas em tempo de crise – Como mudar o foco sem perder o propósito?

Já a palestra Método e arte para desenvolver talentos vai traçar um paralelo entre uma orquestra e uma equipe empresarial. A ideia é mostrar que é possível fazer aflorar o que cada integrante tem de melhor a dar em prol do coletivo, seja esse trabalho feito por um profissional de recursos humanos, um gestor de pessoas ou… um maestro.

Saúde em xeque

Outro assunto em destaque no mundo corporativo são os investimentos na saúde dos profissionais, uma vez que os planos de assistência privada vêm se mostrando um benefício importante para os colaboradores e, ao mesmo tempo, crítico para as organizações. “Principalmente do ponto de vista emocional, as empresas estão adoecendo mais. Em contrapartida – e por conta disso –, há toda uma máquina dos planos de saúde revendo seus contratos”, explica Sandra.

Lilian, da Natura: parceria para atingir melhores resultados

Ao levar especialistas na área para o CONARH, a ABRH objetiva explicitar que a empresa pode ser criativa tanto do ponto de vista da gestão dos contratos como da prevenção de doenças do seu efetivo.

E, para mostrar que não se trata somente de teoria ou discurso, o case A saúde tem cura vai contar como isso se dá na prática e qual é a atuação efetiva de RH na saúde organizacional, seja no aspecto preventivo ou no gerenciamento do binômio custo versus eficiência. Trata-se de um projeto desenvolvido na GE. A médica sanitarista Márcia Agosti, gerente de projetos de saúde da companhia, vai dar o exemplo prático de gestão corporativa da saúde, mostrando como a empresa atuou para evoluir nessa área, desde a criação de programas para os colaboradores até como melhorou a saúde e otimizou os seus custos.

Pessoas versus finanças

A dicotomia entre as áreas financeira e de recursos humanos não é novidade, mas ganha relevo em tempos bicudos. Se é preciso administrar custos com rédea curta, de outro lado, os investimentos na produtividade e no desenvolvimento do capital humano não podem ser simplesmente cortados. É possível estabelecer uma parceria diferenciada entre essas duas áreas para que, juntas, atuem a favor do negócio e das pessoas.

“Queremos unir o ‘hard’ e o ‘soft’, explorar uma parceria na qual a área de finanças não tenha uma visão só focada em custos, mas também humana, e RH tenha uma visão não só humana, mas também objetiva quanto à adoção de indicadores. Essa combinação pode resultar em uma excelente parceria para atingir melhores resultados”, detalha Lilian Guimarães, vice-presidente de pessoas e cultura da Natura e diretora da ABRH-SP, que também está no comitê de criação do CONARH 2015. Esse é o foco da palestra Financeiro e RH: Como construir parceria em tempos de escassez de recursos (veja mais em Um parceiro chamado RH).

E por falar em finanças, como a remuneração pode impactar a formação e gestão de uma cultura organizacional ou acelerar a produtividade da equipe? O congresso levará ao público o case da Cielo na qual a remuneração é gerenciada como ferramenta para o aumento da performance e criação de um ambiente meritocrático. A apresentação está a cargo de Roberto Dumani, vice-presidente executivo de desenvolvimento organizacional da empresa.

Experiência e diversidade

Outro tema que não pode ficar de fora deste CONARH é a sincronia das empresas com as demandas do momento, porém, sem tirar os olhos do futuro. Nesse sentido, já faz algum tempo que a geração Millennium vem tomando parte da agenda corporativa. Como lidar com as urgências dos mais jovens e criar ambientes para que eles queiram permanecer no emprego são questões ainda debatidas à exaustão. Entretanto, com o aumento da expectativa de vida da população mundial, a tendência é que as pessoas permaneçam por mais tempo ativas.

As empresas estão preparadas para lidar com um público interno composto, em boa parte, por profissionais com 60 anos ou mais? Como será conciliar esses dois mundos e aumentar a participação dos profissionais mais experientes nas empresas? (veja mais em Projeção futura, na pág. 54).

A diversidade em sua amplitude também está contemplada na programação. E nada melhor do que uma experiência prática para ilustrar como compor um público diverso e falar dos resultados que são obtidos com essa iniciativa na palestra O que é e como produzir mais com o diverso.

Intraempreendedorismo, educação como solução para produtividade, ética e transparência, liderança com arte e o diálogo como ferramenta de negociação trabalhista são alguns dos demais temas que complementam a programação.

Um parceiro chamado RH 
A programação do congresso conta com participações de expressão e, em não raras oportunidades, vai derrubar mitos da gestão de pessoas, mostrando como RH pode mudar a realidade da empresa. Um deles é o de que recursos humanos tem em finanças um impeditivo para avançar em suas políticas e estratégias.

Ao contrário do que se prega, essa dobradinha pode dar muito certo a partir de uma gestão eficaz, eficiente e compartilhada de indicadores financeiros alinhados aos indicadores de RH.

E não se trata de teoria. Essa parceria de sucesso será comentada por Fernando Salinas, diretor de RH para a América Latina da Johnson & Johnson Medical, e José Roberto Beraldo, diretor executivo financeiro e de relações com investidores do Grupo Contax. Eles estão juntos na palestra Como construir parceria em tempos de escassez de recursos.

Em outra atividade, um painel vai reunir heads de RH de importantes empresas para um debate sobre liderança. Além de compartilhar suas visões com o público, eles vão contar como têm apoiado seus líderes nas respostas aos desafios que se apresentam em um mundo complexo e, ao mesmo tempo, cheio de oportunidades.

A arte de liderar: para tempos incertos, líderes inquietos é o tema desse encontro, em que estão Alessandra Ginante, vice-presidente de RH da Avon Cosméticos, Luiz Carlos França Duarte, diretor de RH & TI para a América do Sul da Kordsa Global, e Renato Senna, líder da área de RH Internacional da Merck.

 

Eixos do CONARH 2015 
O evento oferecerá aos congressistas uma programação pautada por três eixos:

> Desafios – abordará práticas e conteúdo de inovação; tendências em estratégias em gestão de pessoas; cenários do futuro e de superação; tecnologia e ciência intervindo no ser humano e o que permanece e o que não cabe mais na área.

> Incertezas – neste eixo, serão compartilhadas situações vividas diante de adversidades: como se preparar no imediato para os cenários que nos esperam; estratégias de reação; RH como condutor deste momento incerto global e Brasil e comunicação organizacional como instrumento de integração e alinhamento.

> Complexidade – nesta grade, serão discutidos ambientes complexos, do coletivo para o pessoal, conflitos e soluções, como trabalhar em cenários adversos, ferramentas de RH como apoio estratégico.

 

+ Destaques 
Drauzio Varella: atuação do RH na saúde

Confira outros temas relevantes que serão discutidos e seus debatedores

Os emergentes
O português Joe Santos, professor de gestão global no Insead (França), pesquisador e consultor organizacional com ênfase em integração e inovação globais, está na palestra A arte de lidar com o emergente. Joe vai abordar os impactos das economias e dos mercados emergentes nas empresas e como os gestores e profissionais de RH desses países devem atuar diante desse cenário, a fim de fomentar a compreensão dos desafios e contribuir na preparação das pessoas e das organizações para lidar com o “emergente”.

Na saúde e na doença
Um dos mais respeitados médicos do Brasil, Drauzio Varella participa, com Maurício Ceschin, diretor-presidente da Qualicorp e membro do Conselho de Administração do Hospital Sírio-Libanês, de palestra para falar, claro, de saúde e doenças nas organizações. As deficiências do sistema público de saúde no Brasil, a preocupação das empresas com a saúde dos profissionais e a atuação de RH nesse contexto são alguns dos aspectos a serem tratados.

RH de alto impacto
Quem quer ter novos insights e fazer a diferença em Recursos Humanos não pode perder a palestra de Anna Tavis. Russa, de São Petersburgo, ela ocupou posições de gerência em grandes empresas, como Motorola, Nokia, United Technologies e AIG. Hoje, é professora adjunta de gestão e organização da New York University (EUA), consultora organizacional sênior e executive coach.
Anna vai falar sobre o RH de alto impacto, assunto pelo qual transita com destreza: como professora, ela prepara a próxima geração de profissionais globais de RH, influenciando, treinando e desenvolvendo talentos corporativos. Além disso, acumula larga experiência em gerar impacto global e acelerar o desenvolvimento de talentos e a transformação organizacional. Em seus programas de talento, a consultora considera o gerente em nível executivo.
Para completar o currículo, ela também é editora executiva do People and Strategy Journal, publicação da HR People & Strategy (HRPS), uma afiliada da Society for Human Resource Management (SHRM), entidade norte-americana de RH.


Rápidas

> Pedro Passos, um dos fundadores da Natura, se apresenta com o líder empresarial Fabio Barbosa na palestra Os caminhos e soluções das empresas para o momento Brasil.

> Já Fabio Kapitanovas, vice-presidente de gente e gestão da Ambev, fala de empreendedorismo ao lado de Leila Velez, cofundadora da rede Beleza Natural.

> Técnico da seleção de vôlei masculino e do time feminino Rexona-Ades, Bernardinho vai abrir o congresso com o tema Excelência: conquista e sustentabilidade. Na palestra patrocinada pelo Itaú, ele vai levar sua vivência como esportista e técnico para inspirar as empresas no diálogo transparente e na força da comunicação como fator de engajamento.

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