Para manter o moral elevado

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Cicero Domingos Penha é vice-presidente corporativo de Talentos Humanos do Grupo Algar

A mídia nos traz, todos os dias, notícias dos bilhões de reais surrupiados dos cofres públicos do país pela corrupção. Os especialistas calculam os prejuízos na balança comercial e no PIB pelos dados frios da matemática. Esquecem de mencionar o prejuízo maior que é o custo incalculável da baixa produtividade causada pelos abalos emocionais que as notícias ruins causam na psique do ser humano. A corrupção fulmina a autoestima do trabalhador porque ameaça seu emprego e o faz perder as perspectivas de futuro.

Agora, imagine quando essa situação afeta a maioria da população economicamente ativa como vem ocorrendo. Tem-se um verdadeiro assalto à fé e à esperança do cidadão. Quem consegue calcular esse prejuízo? Quanto vale o prejuízo moral de milhares de trabalhadores de centenas de empresas pelo Brasil colocados na rua pela retração da economia? Quando se rouba a fé e a esperança de um povo há aí um crime de lesa-pátria. Algo pelo qual deveriam pagar muito caro.

O ambiente empresarial, com algumas exceções, é, hoje, uma praça de guerra pela sobrevivência. Nunca se lutou tanto com o objetivo de conseguir os resultados necessários para manter-se, pelo menos, com as portas abertas esperando dias melhores. A insana corrida pelos resultados, aliada aos efeitos da corrupção que resulta em alta de impostos, corte de direitos trabalhistas e redução de quadros, tem minado a motivação de quem trabalha.

Toda essa carga negativa, aliada à Síndrome do Pensamento Acelerado (SPA), descrita pelo médico psiquiatra Augusto Cury em seu livro Ansiedade, como enfrentar o mal do século, fere a autoestima da pessoa e leva-a a diminuir a fé nos resultados do seu próprio trabalho. Os efeitos são percebidos no crescente número de afastamentos do trabalho, no aumento do turnover, no mau humor, no automatismo de pessoas, no aumento do uso de psicotrópicos e nos consultórios psiquiátricos lotados de gente à procura de ajuda.

Mas, por outro lado, as organizações precisam cada vez mais de positividade interna para sustentar suas estratégias. Positividade no ambiente corporativo é sinônimo de credibilidade na empresa e nos seus dirigentes. É chegado o momento de as corporações trabalharem internamente o resgate da positividade, mesmo nadando contra a maré. Começa com seus dirigentes – que não podem perder o espírito empreendedor –, passa pela capitalização das boas notícias e comemoração das pequenas vitórias.

Por isso, aqui vai um alerta: as áreas de RH e as lideranças das empresas vão precisar de força de vontade, paciência, flexibilidade e muito trabalho para manter o moral das equipes elevado. Muito além dos programas motivacionais clássicos, a fórmula deve ter como ponto de partida o propósito e os valores da organização. Conciliar desafios viáveis com acolhimento e encorajamento. Os líderes precisarão mostrar que estão juntos, acreditando em melhores dias. Terapia ocupacional mesmo!

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