Para motivar mais (e melhor)

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    Especialista mostra os pontos que devem ser observados
    ao implantar um curso de motivação nas empresas

    Por Carlos Eduardo Saraiva*

    Sabe-se que o grande diferencial para obter sucesso nos negócios está no capital humano. Assim, investir nas pessoas é cada vez mais necessário e os cursos motivacionais estão aí para isso. Mas como não cair em armadilhas quando o assunto é motivação? Se você acessar o Google e digitar “treinamentos motivacionais”, vão aparecer mais de 236 mil registros indicando consultores e programas voltados para gerar equipes campeãs, ajudar as pessoas a romper seus limites e estabelecer altos níveis de realização. São os “messiânicos de plantão”. Eles têm o dom divino de realizar milagres corporativos. A empresa entrega seus profissionais a esses “alquimistas corporativos” e recebem de volta verdadeiros campeões. Dá para acreditar? Se você não acredita, pode crer que muitas companhias acreditam e investem dinheiro e tempo nos tais “programas motivacionais”. Porém, no momento de escolher um programa com objetivo de motivar os colaboradores, alguns detalhes devem ser observados.

    Encontros periódicos
    Quando se realiza um programa com o intuito de aumentar a produtividade dos colaboradores, é essencial que o encontro seja um momento de reflexão sobre determinado assunto e que seja realizado constantemente. Não adianta esperar que encontros esporádicos, ainda que sejam conduzidos por grandes líderes, produzam, isoladamente, resultados concretos nas equipes. O que produz resultado é a busca diária do conhecimento, o aprimoramento das habilidades, o exemplo cotidiano das lideranças e a atitude positiva dos envolvidos em relação ao que se quer construir. Imaginem se isso vai ser obtido num único encontro ou em meia dúzia de encontros. Motivar pessoas para obtenção de resultados positivos é assunto sério e requer das empresas comprometimento com a tão almejada busca pela excelência em todas as suas áreas, em especial na gestão do seu capital humano. Atualmente, talvez a grande referência nacional de equipe campeã seja a seleção brasileira de vôlei. É uma unanimidade. Apesar de já ter vencido tudo, continua motivada e querendo conquistar cada ponto, cada partida, cada torneio. Mas como ela chegou lá? Melhor, como ela faz para continuar no topo? Certamente não foi com os shows pirotécnicos tão em voga hoje na área de treinamento – isso eu aposto. Essa equipe não estaria no topo se fosse treinada como normalmente as empresas “teimam” em treinar suas equipes de profissionais.

    Exemplos reais
    Ao escolher um curso motivacional, dê preferência aos que possuem assuntos reais e que estimulem à criatividade dos colaboradores. É sempre melhor participar de um encontro para escutar alguém que tenha um histórico comprovado de vitórias e conte como conseguiu construir a sua trajetória de sucesso. Isso contagia e instiga os colaboradores a também querer ser um campeão. Invariavelmente, esses depoimentos têm um caminho em comum, que começa pela decisão de alguém querer realmente construir uma história de sucesso, e passa pelo árduo trabalho de dedicação diária e continua da pessoa em transformar essa vontade em resultados concretos. Por exemplo, não há dúvida de que o Bernardinho é um tremendo líder e que tem muito a ensinar às empresas, mas a maior contribuição que as corporações podem extrair de sua jornada vitoriosa é a sua capacidade de escolher os profissionais certos e a sua total obstinação em treinar a equipe diariamente, desenvolvendo nela as competências necessárias para se tornar imbatível.

    Ampla equipe de trabalho
    As companhias devem tomar cuidado ao escolher palestrantes e consultores para realizar os treinamentos. Antes de decidir, faça a seguinte pergunta: eu contrataria esse profissional para ser um de meus gestores? A resposta a esta simples questão pode evitar vários problemas futuros e garantir a eficácia do programa. As empresas precisam entender que não basta apenas levar um profissional renomado para falar para suas equipes, achando que com isso resolverão os problemas de venda ou de gestão. Para atingir o objetivo, é necessária uma ampla equipe de trabalho, envolvendo técnicos, especialistas do setor e educadores que estejam aptos a desenvolver e ministrar cursos customizados nas categorias in company, on-line e presencial. Esse é o formato ideal e deve ser a aposta das empresas para manter os profissionais informados, motivados e competitivos no mercado de trabalho. O resto é pura bobagem. Perda de tempo.

    *Carlos Eduardo Saraiva é diretor geral da Nova Vertente Comunicação & Capacitação e professor de planejamento estratégico e marketing do ESAGS (Escola Superior de Administração e Gestão)

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