Pensar no amanhã, hoje

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Pedro Luiz Nunes Conceição, sócio-diretor do Grupo Nunes & Grossi, fala sobre as questões fundamentais para planejar a aposentadoria com decisões assertivas sobre investimentos, tempo de poupança e diversificação de ativos.

Ao optar por planejar a própria aposentadoria, quais aspectos devem ser levados em conta na hora de se planejar financeiramente?
Em primeiro lugar, poupar desde cedo, consciente de que um plano de previdência privada é um produto de longo prazo, por exemplo. Em segundo lugar, considerar que a idade mínima estabelecida na reforma da previdência não será abaixo de 60 anos, provavelmente ficando em 65 anos. Como a aposentadoria oficial pagará cada vez menos, adquirir uma previdência privada é vital para que no futuro a pessoa tenha uma renda mensal digna, compatível para manter um bom padrão de vida.

O que deve ser avaliado ao montar uma carteira de investimentos com foco em uma aposentadoria tranquila, com qualidade de vida?
Bem, aposentadoria tranquila e qualidade de vida são conceitos que sempre variam de pessoa para pessoa. Em termos gerais, é preciso considerar a idade do investidor, sua composição familiar, o numerário disponível para o investimento, o projeto de vida e a idade pretendida para passar a receber a aposentadoria.

Que itens precisam ser ponderados antes de optar pelo que vai compor a “ cesta” efetivamente?
No caso de investimentos em planos de previdência, por exemplo, é comum que o produto permita escolher como o patrimônio acumulado ao longo dos anos será transformado, se em renda temporária por um prazo determinado ou  em renda vitalícia. Sendo renda temporária, se o titular vier a falecer o beneficiário continuará recebendo a mesma renda até o final do período.

Além de poupar o mais cedo possível, é importante ter uma carteira de investimentos adequada a esse objetivo de longo prazo. Que aplicações podem compor o portfólio?
Recomenda-se que o portfólio de aplicações sempre seja definido conforme o perfil: conservador, moderado ou agressivo, além, é claro, adequado à idade do poupador. Sendo conservador, avesso ao risco, a carteira de investimentos pode ter apenas 5% em renda variável, 40% no Tesouro Direto e 55% em um plano de previdência privada. O plano de previdência deve ter uma taxa de administração de no máximo 1,5%. Mas para este ou para qualquer outro tipo de recomendação é necessário que o poupador ouça ao menos 3 especialistas de mercado, sendo um deles, de preferência, o seu Corretor de Seguros.

Qual a importância da diversificação de ativos para um planejamento de aposentadoria?
É fundamental! Hoje, com a redução da taxa Selic, a queda da inflação e as diversas opções de investimentos disponíveis, com amplo, total e irrestrito acesso a todo o tipo de público, é interessante o poupador se interessar por obter uma educação financeira. O mercado é muito competitivo, as possibilidades de comparação de produtos é ilimitada. O cliente precisa entender o conceito da compra de renda, as variações de rentabilidade, os riscos inerentes e as opções que ele poderá ter no futuro. Como corretor de seguros, entendo que o mais importante é não acreditar em verdades definitivas: não invista somente em um plano de previdência privada, ou somente no mercado de ações, ou somente no Tesouro Direto, ou somente em fundos imobiliários. Se informe, mas acima de tudo esteja consciente de que é necessário ter uma visão de longo prazo e começar a poupar o quanto mais cedo melhor. Em qualquer circunstância, para qualquer perfil de investimento recomenda-se também que se tenha uma reserva de emergência para o curto prazo, em um investimento de liquidez diária, que corresponda a pelo menos 6 meses da sua despesa mensal.

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