A precariedade dos cenários para 2017

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    donadao-textoA leitura do mundo precede a leitura das palavras, já defendia o mestre Paulo Freire, um educador à frente do seu tempo. De fato, compreender o emaranhado de palavras estampadas todos os dias na mídia brasileira exige a leitura de um mundo novo para todos nós, brasileiros.
    O rosário de denúncias de corrupção deslavada, os processos judiciais e as ações continuadas da polícia, tudo isso traz uma triste realidade: o vazio total de credibilidade da grande maioria da classe política nos deixa quase na desesperança de encontrar legitimidade em nossos representantes no Poder Legislativo e em boa parte do Poder Executivo.
    O que irá acontecer no futuro imediato desse contexto? De que forma o cidadão comum terá um mínimo de segurança na preservação das leis elementares da sociedade? É certo que existe a contrapartida dessa inquietude, já que o Poder Judiciário, em várias de suas instâncias, demonstra um forte estado de alerta na zeladoria do Estado de Direito. Mas esse movimento ético terá musculatura suficiente para resistir no tempo às forças do obscurantismo e aos senhores coronéis do poder estabelecido?
    Derivando a análise para o plano econômico, como reverter o espaço gritante de diferenciação das classes sociais brasileiras, o ciclo perverso que segrega milhões de pessoas do consumo básico de bens e serviços e do acesso a condições razoáveis de educação, saúde, habitação e transporte urbano? A dinâmica econômica, quando restabelecida em patamares decentes, poderá romper a espiral do desemprego, criando oportunidades dignas de trabalho e prosperidade?
    Enfim, a lista de questionamentos poderia continuar e amplificar nossa sensação de desamparo e inquietude, mas é claro que esse estado de espírito não ajuda em nada a busca de alternativas. O certo é perceber que essa leitura cáustica dos cenários deve nos trazer a maturidade necessária para encarar a realidade e encontrar o fôlego que possibilite superar o negativismo em fatos positivos que acontecem na sociedade informal brasileira. Vários movimentos associativos estão acontecendo nos setores empresariais, nos grupos comunitários, nas organizações não governamentais, e por aí adiante. O ânimo coletivo está acontecendo aqui e acolá, a despeito das dificuldades do macrocontexto.
    parte-donadaoCom todas as pedras no caminho, o futuro está sendo construído no dia a dia que não necessariamente é conhecido e divulgado. Afinal, como diz o nosso brilhante cronista do cotidiano Luiz Fernando Verissimo: “o futuro era muito melhor antigamente”…
    O futuro, agora, é um desafio de reconstrução. Para isso, é preciso estar atento e forte.

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