Profissionalização em pauta

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 Pereira, do Grupo Haganá: aposta também na tecnologia

A exigência dos gestores de pessoas chegou também ao setor de segurança patrimonial. Hoje, não basta para essas prestadoras de serviços seguirem apenas as obrigações exigidas pela legislação. Algumas já começam a investir em práticas de RH e seus gestores de recursos humanos influem até na elaboração de propostas comerciais.

Para Maurice Braunstein, CEO do Grupo GR, atualmente há profissionais mais técnicos e habilitados para a contratação de serviços de apoio, que possuem conhecimento de legislação e, principalmente, não se preocupam mais só com o “preço”, pois aprenderam que é preciso conhecer a estrutura da empresa que fornece funcionários terceirizados, como: solidez financeira, área especializada de recrutamento e seleção, treinamentos periódicos, departamento jurídico próprio, frota de veículos, certificações etc. Dessa forma, os contratantes podem optar por empresas mais sérias e devidamente legalizadas para cuidar de pessoas e patrimônios.

Na opinião de Renata de Luca, diretora de recursos humanos do Grupo Segurança, de Presidente Prudente, no interior de São Paulo, o principal desafio é sair das práticas tradicionais do segmento. “Embora a característica de militarização seja importante no setor, temos procurado desenvolver programas de RH e introduzir tecnologias para oferecer melhor qualidade na prestação de serviços”, destaca.

Quando se fala em segurança patrimonial, o principal aliado é a tecnologia, mas ela depende muito da intervenção e interpretação humanas, pois, se um local tiver um grande esquema de segurança, mas o controlador de acesso falhar, esse aparato se perde. “Uma grande preocupação que temos é formar as pessoas no curso básico, e também estender projetos e políticas de RH para os quase sete mil colaboradores que estão nos vários pontos atendidos pela empresa em cerca de 450 municípios”, aponta Renata.

A executiva ainda destaca que, muitas vezes, a área comercial tem chamado o time da área de recursos humanos para analisar propostas para grandes corporações e também apontar as principais práticas de gestão de pessoas, pois é um item que faz parte da análise do perfil do prestador de serviço.

A Haganá, por sua vez, continua apostando na tecnologia para minimizar eventuais falhas humanas. Um dos dispositivos que a empresa tem oferecido ao mercado é um sistema de reconhecimento facial em movimento que visa melhorar a eficácia nos controles de acesso dos postos de serviço, complementando a ação dos profissionais. “Essa ação, por si só, resolve o maior problema na rotatividade, que é o desconhecimento das pessoas”, pondera Samuel Rubens Pereira, diretor operacional do grupo.

Valor agregado

Quando uma empresa busca um prestador de serviço de segurança patrimonial, geralmente o contratante já tem conhecimento das soluções oferecidas em pelas empresas fornecedoras desse serviço ou acaba descobrindo os diferenciais durante as entrevistas. O que alguns fornecedores têm feito é propor um diagnóstico inicial para avaliar se o cliente necessita da instalação de dispositivos eletrônicos ou mesmo mudança de procedimentos e melhoria de postura que sequer implica a contratação de serviços de vigilância. “O que acontece é que algumas empresas necessitam de soluções específicas de segurança; por exemplo, uma transportadora precisa ter um serviço de rastreamento eletrônico de carga altamente especializado. Não basta apenas a escolta. No caso de segurança de celebridades, já se faz necessária a presença de seguranças com boa presença física para evitar aglomerações ou simplesmente adotar outra postura de executar procedimentos, como utilizar outro canal de desembarque em um aeroporto”, exemplifica Erasmo Prioste, diretor comercial do Grupo Segurança.

Leonel, da Gocil: crescimento de negócios apesar de um ano difícil

Outra ferramenta que pode ser oferecida para apoiar o contratante na decisão da escolha do pacote de serviços de segurança é o plano de gestão de riscos corporativos (PGRC). Primeiramente, é feita a avaliação e identificação dos riscos, bem como dos fatores que os potencializam. “A partir dessa análise, avaliamos a situação ideal, montamos um plano de ação para eliminar os riscos; para os que não puderem ser eliminados é feito um trabalho para minimizá-los e monitorá-los permanentemente”, completa Prioste.

Com o aumento da violência nos grandes centros, as corporações também passaram a investir mais na segurança pessoal de seus executivos. A partir da identificação e mensuração dos riscos, são estabelecidos procedimentos de segurança para que o executivo possa trabalhar com tranquilidade. “A principal característica de um profissional que presta segurança para um executivo é a discrição, porque ele não é o ator principal do filme. Ele é um coadjuvante que aparece pouco e dá condições para o ator principal mostrar tudo o que sabe”, compara Prioste.

Por outro lado, o diretor comercial do Grupo Segurança comenta que algumas pessoas negligenciam as ações a serem tomadas se acontecer o pior, porque elas não gostam de conversar sobre temas como sequestro, por exemplo. “Por mais que não seja um assunto agradável, é importante promover simulações para que esse evento negativo dure o menor tempo possível e traga menos

consequências negativas. Entre as ações a serem tomadas estão o treinamento de direção evasiva, tanto para o executivo, e principalmente, quanto para o motorista particular. Ele não pode agir como um condutor comum, precisa ser treinado e saber como um veículo é abordado por um sequestrador, conhecer todas as técnicas de como e quando se evadir. Trata-se de um serviço de muito conhecimento e treinamento”, salienta.

Complementarmente às ações de segurança, o prestador de serviço também pode oferecer um treinamento comportamental para que o executivo e seus familiares reduzam o risco de exposição, como, por exemplo, falar adequadamente, saber se comportar em público, e atendimento telefônico, que normalmente é oferecido para o cliente mais inexperiente. Para um executivo mais experiente é oferecido um pacote mais “agressivo” de comportamento em que são abordadas questões como uso de cartão de crédito em locais públicos e ostentação.

Negócios

Embora haja uma sensação de desaceleração geral da economia no país, o setor de segurança patrimonial deve crescer na casa de dois dígitos em 2015. O Grupo Segurança estima que deve ampliar seus negócios entre 15% e 18%. O Grupo Haganá deve manter sua média de crescimento de 10% ao ano, que talvez seja um pouco maior com a abertura da filial no Rio de Janeiro, segundo Samuel Rubens Pereira, diretor operacional. César Leonel, diretor superintendente da Gocil Segurança e Serviços, estima um aumento de 15% nos negócios para 2015 e Maurice Braunstein, CEO do Grupo GR, estima um crescimento de 18% de receita, em relação ao ano anterior.

 

Cuidados na contratação 
Alguns cuidados são fundamentais para a contratação de uma prestadora de serviços de segurança patrimonial. Os especialistas entrevistados pela MELHOR apontaram aspectos importantes a serem considerados pelo contratante:

> Registro na Polícia Federal
> Afiliação a sindicato ou entidade de classe
> Certificações e selos de qualidade
> Apresentação de balanço patrimonial para checar a situação fiscal, financeira e passivo trabalhista
> Consultar clientes não indicados pelo fornecedor
> Conhecer os preços médios praticados pelo mercado
> Conhecer a estrutura e práticas de RH da prestadora de serviços
> Verificar se o balanço é auditado por auditoria independente

 

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