Para não ter dor de cabeça no caixa

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BENEFÍCIO | Edição 340

Ações de prevenção de doenças e promoção de saúde ajudam a reduzir o índice de sinistralidade

promoção de saúde
Soraya, da Alelo: ações para diminuir a sinistralidade

 

Uma das maiores preocupações do gestor de RH, atualmente, é o controle de despesas, especialmente em momentos de contenção, como o atual da economia brasileira. O benefício que tem gerado maior impacto nesse sentido é o da assistência médica. Para as pequenas empresas, por exemplo, o custo do plano de saúde pode chegar a 30% da folha, se forem incluídos os dependentes.

As empresas tiveram um aumento médio de 14,8% nos custos de planos de saúde para funcionários em 2015. O custo médio per capita do benefício saltou de R$ 196,17, em 2014, para R$ 225,23 ano passado. Com o avanço, os gastos com planos de saúde passaram a representar o equivalente a 11,54% dos gastos das empresas com a folha de pagamentos. Em 2012, o índice representava o equivalente a 10,38% da folha das organizações pesquisadas.

Os dados constam de estudo realizado pela Mercer Marsh Benefícios, divisão de consultoria e gestão de benefícios da Marsh, líder mundial em corretagem de seguros e gerenciamento de riscos.

O estudo ouviu 513 companhias, de 31 segmentos da economia. Cerca de 61% da amostra foi composta por empresas com mais de R$ 100 milhões de faturamento ao ano, sendo 69% multinacionais e 31% de empresas de capital nacional. O conjunto da amostra abriga 1,2 milhão de colaboradores e dois milhões de segurados (incluindo dependentes).

De acordo com o levantamento, 51% das empresas já adotam o modelo de compartilhamento do financiamento dos planos de saúde com os funcionários. Eles subsidiam, em média, 78% dos custos fixos dos planos.

A pesquisa mostra também que, embora os planos de saúde sejam fontes de forte pressão de custos, poucas empresas adotam programas de qualidade de vida com foco na prevenção e manutenção da saúde dos funcionários, com consequente redução da utilização dos planos. Segundo os dados da Mercer Marsh Benefícios, 32% adotam algum programa de qualidade de vida e só 20% mantêm programas realmente estruturados em torno do tema (veja mais em Promover a saúde).

Segundo o estudo, 45% das empresas entrevistadas pretendem fazer alguma mudança em seus programas de saúde em até um ano e outras 13% farão mudanças nos próximos dois anos. Entre as que planejam fazer alterações, 26% declaram que o farão em busca de redução de custos.

A troca de fornecedores também está no radar das empresas. Cerca de 40% das empresas ouvidas para o levantamento dizem que irão fazer mudança de fornecedor (planos de saúde, planos odontológicos etc.) em até um ano. Outros 9% da amostra farão mudanças em até dois anos. Em 60% dos casos, a mudança terá como objetivo a redução de custos junto aos prestadores.

Atração e retenção

Embora a redução de custos médicos seja, hoje, o principal foco dos gestores de RH, alguns ainda veem a assistência médica como ferramenta de atração e retenção de talentos, especialmente entre as pequenas e médias empresas. A ST IT Consulting, consultoria de desenvolvimento de software, adota um plano para seus 33 colaboradores celetistas e estuda estendê-lo para os prestadores de serviços em projetos. A cobertura é estendida para dependentes diretos – cônjuges e filhos – e os diretores pagam um valor adicional para terem um rol maior de hospitais e laboratórios.

promoção de saúdeRenata Medeiros, gerente de RH da ST IT Consulting, explica que, embora o impacto sobre a folha seja alto, são promovidas ações para que os colaboradores façam bom uso do plano médico e se conscientizem de sua responsabilidade pela própria saúde. “Fazemos algumas divulgações internas por e-mail marketing, intranet e nos murais sobre educação postural, campanhas de saúde da mulher e do homem, para influenciar os colaboradores que façam um check-up rotineiro e para que eles tenham consciência de estarem sempre se cuidando. O fato de a ST IT custear 100% do plano também está entre as ações de retenção”, observa.

Assim como a ST IT, o Yahoo também oferece um plano de saúde de primeira linha para seus cerca de 200 funcionários, extensivo aos dependentes diretos.

As operadoras de assistência médica e odontológica promovem plantões periódicos de atendimento na empresa e realizam campanhas em que é feita uma anamnese (entrevistas com os pacientes) da condição geral de saúde do funcionário e em que são passadas orientações gerais sobre qualidade de vida. “Para o próximo ano, estamos planejando uma grande campanha integrada, que envolverá palestras e trabalhos em conjunto com especialistas da área de nutrição e bem-estar”, adianta Cecília Pinaffi, diretora de RH para a América Latina do Yahoo.

Ela também destaca que, pelo nono ano consecutivo, o Yahoo atingiu o nível máximo no índice de Corporate Equality, organizado pela Human Rights Campaign Foundation. Esse desempenho confere à empresa o título de melhor companhia para trabalhar para a comunidade LGBT. “Esse reconhecimento é, na verdade, fruto de uma política de inclusão, que não só considera cônjuges de casais homoafetivos como dependentes do plano de saúde, mas que também financia, inclusive, cirurgias de mudança de sexo para os colaboradores que tenham essa intenção”, completa Cecília.

Por se tratar de uma fornecedora de benefícios, a Alelo tem consciência da necessidade de se fazer um bom controle de custos e promove ações de promoção de saúde. Em 2015, a área de RH implantou o benefício academia, com o objetivo de impulsionar o hábito de se exercitar, favorecendo a redução da sinistralidade do plano de saúde a médio/longo prazo. A empresa patrocina corridas (de bicicleta e de rua) e jogo de futebol semanal entre os funcionários. “Também abraçamos a causa da alimentação saudável ao lançar o Movimento Alelo Comer Bem é Tudo de Bom. Oferecemos todos os serviços que disponibilizamos aos nossos clientes internamente: o programa de conteúdo sobre melhores escolhas na hora de se alimentar e praticar atividades físicas, a vending machine e a máquina de sucos naturais. Além disso, disponibilizamos frutas”, enumera Soraya Bahde, diretora de recursos humanos da Alelo.

Coparticipação

Recentemente, a Alelo também optou por utilizar a coparticipação no plano de saúde, buscando a conscientização sobre o uso. O colaborador paga apenas uma pequena quantia a cada utilização em consultas e exames simples. Casos crônicos, gravidez, exames complexos, cirurgias e internações são integralmente cobertos pela empresa. “Também patrocinamos vacinação contra a gripe para os colaboradores e suas famílias, com custo 100% coberto pela companhia”, completa Soraya.

Um setor em que o controle de custos com assistência médica é crucial é o de varejo. A Casa & Vídeo, rede de lojas de utilidades domésticas, ferramentas, climatização e eletroportáteis, com atuação no Estado do Rio de Janeiro, identificou que as gestantes impactavam mais a sinistralidade por conta das internações de emergência, por se tratar de um público jovem e que não fazia o pré-natal corretamente. “Diante desse quadro, criamos um programa em parceria com a operadora de saúde no qual são oferecidas consultas e palestras para o pré-natal. Inclusive mobilizamos os gestores para liberarem as grávidas para irem às consultas e às palestras”, detalha Raphael Rosas de Barros, coordenador de remuneração e benefícios da Casa & Vídeo.

Além do trabalho feito com as gestantes, a Casa & Vídeo também aderiu às campanhas do Outubro Rosa (prevenção do câncer de mama) e Novembro Azul (prevenção do câncer de próstata), e na Semana Interna de Prevenção de Acidentes promoveu várias palestras específicas, atendimento nutricional, ginástica laboral, check-up de hipertensão, diabetes, saúde bucal, verificação de Índice de Massa Corporal, DST, planejamento familiar, terapias alternativas como ioga, auriculoterapia, shiatsu e até mesmo segurança do trabalho.

Na Dassault Systèmes, o tema saúde bucal é encarado como um ponto importante para a manutenção e promoção do bem-estar dos funcionários. Para Cristina Frainer, líder de RH para a América Latina da companhia, ao zelar pela saúde bucal dos funcionários e, de maneira geral, possibilitar o acesso a bons tratamentos, a empresa favorece a prevenção de problemas mais graves que, futuramente, poderiam causar doenças mais sérias. “A necessidade de tratamento de doenças gera preocupações e ausências frequentes ao trabalho, impactando o desempenho e produtividade. A manutenção de saúde é uma das melhores maneiras de evitar o absenteísmo, que tem alto custo para as empresas”, diz. Ainda de acordo com ela, um plano odontológico, além de atuar como aliado nessa manutenção, atualmente tem um baixo custo de investimento comparando-se aos benefícios obtidos.

O plano odontológico oferecido na Dassault Systèmes tem cobertura integral incluindo ortodontia, endodontia e próteses. Com isso, a empresa se enquadra em um pequeno grupo como é possível avaliar a partir de um levantamento feito pela Mercer Marsh Benefícios no ano passado: 62% das companhias oferecem o plano básico aos funcionários. As que oferecem plano básico mais serviços de prótese somam 18% e 10% oferecem planos que cobrem tratamentos básicos mais serviços de ortodontia. Já os planos mais completos são oferecidos pela minoria. Apenas 5% oferecem planos que englobam serviços básicos, de ortodontia e prótese e 4% declararam oferecer pacotes completos de coberturas aos colaboradores, englobando serviços básicos, ortodontia, prótese e implante. De acordo com o estudo, a assistência odontológica, ao lado do seguro de vida, é um dos principais benefícios oferecidos depois dos planos de saúde, e a saúde dental entra na cesta de benefícios como contratação compulsória em 54% das empresas. As que oferecem o benefício por adesão voluntária somam 46% da amostra. Na média, os funcionários contribuem com 27% dos custos dos planos odontológicos e as empresas participam com 64%.

Promover a saúde
Do universo de 20% de empresas que adotam programas estruturados, segundo o levantamento feito pela Mercer Marsh Benefícios, 85% patrocinam programas de vacinação para seus funcionários, 63% mantêm programas de atividades físicas para os colaboradores, 62% adotam programas de nutrição saudável, 53% têm iniciativas para cuidar da saúde emocional dos colaboradores e 34% adotam alguma iniciativa de prevenção de DST (doenças sexualmente transmissíveis).

Ainda nesse universo de 20%, 66% estão trabalhando para diminuir ou eliminar riscos cuidando da ergonomia no ambiente de trabalho, 54% patrocinam check-ups dos funcionários, 47% realizam mapeamentos de perfil de saúde dos colaboradores, 44% adotam mapeamentos para saúde bucal, 35% mantêm programas para ajudar os colaboradores a abandonar o consumo do cigarro e 26% mantêm programas de ortopedia.

O combate aos custos dos planos de saúde também está motivando esse universo restrito de companhias a adotarem programas de gerenciamento de doenças crônicas, que são aplicados em 47% das empresas pesquisadas. Programas de monitoramento de internações dos beneficiários são praticados em 37% das organizações e 29% adotam o recurso da segunda opinião médica para o tratamento de funcionários em casos mais complexos. “A estruturação de programas de qualidade de vida é fundamental para controlar os custos dos planos de saúde no futuro, mas ainda uma parcela pequena das empresas está fazendo algo nesse sentido; 80% das companhias não têm nenhum programa estruturado na área e estão mais expostas ao crescimento dos gastos com saúde e aos impactos negativos desse benefício em seus resultados”, diz Mariana Dias, líder da área de consultoria e gestão atuarial da Mercer Marsh Benefícios e uma das coordenadoras do levantamento.

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