Quando ele quer ser dono

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Nos últimos anos, só vem crescendo o número de empresas que investem em programas de estágio e trainee cada vez mais sofisticados. Ao mesmo tempo, muitos jovens decidem arriscar a abrir o seu próprio negócio, em vez de se inscrever em um processo seletivo de uma grande empresa, tendência estimulada pelas facilidades trazidas com as novas tecnologias. Uma pesquisa do Sebrae, realizada em 2013, revela que metade dos novos empreendedores no país tem de 18 a 34 anos. “Como os jovens tendem a ter expectativas acima do que as empresas tradicionais podem oferecer, a migração para startups ou para o próprio negócio faz parte do processo natural de adequação do perfil e dos valores dessa geração”, analisa Flávia Silva, da Emdoc, consultoria especializada em mobilidade global. Mas as organizações estão preocupadas em “perder” esses jovens talentos para esse movimento de “ser dono do próprio nariz”?

 

Oportunidade de criar

Os gestores ouvidos por MELHOR responderam que não, pois atualmente investem em oferecer a oportunidade de os funcionários criarem e desenvolverem novos projetos no próprio ambiente organizacional. “Empreender dentro da empresa é cada vez mais não só possível, mas necessário. Os jovens são os donos de suas próprias carreiras e ensinamos isso a eles. Como funcionário de uma organização, tenho de vender meu projeto, tenho de lidar com meu cliente, preciso interagir com o acionista. Ser empregado de uma grande empresa e ser empreendedor não é uma dicotomia”, destaca Joana Rudiger, gerente de talentos da Unilever. “Se ele busca autonomia, inovação e colaboração ao empreender, vai encontrar tudo isso na empresa. Já vimos muitos jovens que tentaram abrir seu próprio negócio e, por vários motivos, acabaram optando pela carreira corporativa e ingressaram na Unilever.”

Foi pensando no intraempreendedorismo que o Laboratório Sabin criou o programa Construtores do Futuro, no qual o colaborador que se inscreve participa de um evento em que tem um minuto para apresentar suas ideias e convencer um grupo sobre a sua viabilidade. “Na verdade, todo jovem gosta de desafios; acreditamos que isso não mudou. O que mudou foi a tecnologia, trazendo mais recursos e possibilidades. Se a empresa percebe e investe nas ideias dos jovens, ou os convida para inovar, tem mais chance de retenção”, destaca Juliana Alcântara, gerente de RH da empresa.

 

Outro olhar

A consultora Andrea Almeida, da Escolha Certa Orientação Profissional, empresa especializada em orientar estudantes indecisos em relação a que caminho seguir, enfatiza que o empreendedorismo não está ligado à abertura de um CNPJ. “Os jovens não precisam necessariamente abrir mão de participar de uma seleção de trainee para empreender. Eles podem fazer isso criando novos produtos ou projetos nas empresas em que foram contratados.” (JS)

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