Receita em gestão

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Eliana, do Hay Group: liderança

Tradicionalmente, as organizações de saúde, altamente especializadas, são administradas por profissionais de saúde. Nas últimas décadas, no entanto, o setor de saúde vem passando por forte processo de profissionalização, dados os desafios crescentes decorrentes da necessidade de aumento da eficiência e da efetividade do cuidado. Algumas peculiaridades explicam essa realidade: trata-se de área altamente complexa, com grande dependência do capital humano, com pessoas submetidas a elevada carga de trabalho num contexto de grande estresse, em que o erro coloca vidas em risco.

Esse quadro faz com que o setor enfrente grandes desafios em gestão de pessoas. Assim sendo, pesquisa realizada em parceria entre a Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) e o Hay Group buscou entender como colaboradores do setor hospitalar privado percebem o ambiente em que trabalham e como as instituições podem maximizar a motivação de todos.

Focado em dois grandes pilares – engajamento e suporte organizacional –, o estudo revelou um reflexo positivo no principal foco da área: os pacientes. Na percepção dos colaboradores, há um ambiente seguro para eles e uma constante atenção às suas necessidades e exigências. Por outro lado, o maior desafio está no desenvolvimento de lideranças.

Tendo em vista o perfil técnico do setor de saúde, comportamentos básicos de gestão ainda são pouco frequentes junto aos líderes dos hospitais. Outro aspecto desafiador está relacionado à necessidade do desenvolvimento da liderança formal e informal que, de forma geral, têm conhecimento técnico robusto, mas não tiveram formação para o desenvolvimento de atividades administrativas e de gestão de pessoas.

Participaram da pesquisa 30 hospitais entre os associados da Anahp, com  adesão de 66% dos convidados (7.030 respondentes) e foram envolvidos todos os níveis hierárquicos das instituições. E alguns pontos críticos foram apontados.

Entre os resultados, o levantamento mostra que 61% dos colaboradores do setor percebem clima favorável no ambiente de trabalho, enquanto a média entre as 111 empresas de diferentes setores é 64%. Levando em conta que os hospitais participantes do estudo são reconhecidos como os melhores do setor de saúde nacional, a expectativa era de um desempenho semelhante aos das empresas com as melhores práticas, que apresentam clima favorável em 75% das entrevistas. “Sabemos que existe um grande desafio de liderança em nossos hospitais e os problemas são comuns entre as instituições. Ainda temos uma gestão pouco amadurecida, que não utiliza ferramentas disponíveis. Precisamos de uma gestão menos técnica, do ponto de vista assistencial”, afirma Fábio Patrus, superintendente de RH do Hospital Sírio-Libanês e coordenador do Grupo de Trabalho Gestão de Pessoas (GTGP) da Anahp.

Além disso, apenas 63% dos profissionais afirmam confiar na diretoria, daí o desafio da alta liderança hospitalar de gerar mais confiança e agir como exemplo de gestão para os demais líderes e colaboradores. Embora os profissionais do setor reconheçam de forma positiva a cobrança por alto desempenho e excelência, e haja clareza em relação aos seus objetivos e ao alto nível de desempenho esperado deles, muitas vezes a avaliação não é percebida como justa, o que gera desmotivação nas equipes.

O estudo também traz à tona a percepção positiva dos colaboradores sobre o cuidado do hospital para que os processos e a estrutura de trabalho sejam eficientes. O hospital é visto como inovador em seus métodos operacionais de trabalho por meio do uso de novas tecnologias de modo mais positivo do que o mercado em geral. Ou seja, o hospital está sempre buscando o que há de novo no setor. Apesar disso, a cooperação e sinergia, pontos fundamentais para o trabalho em saúde, apresentam desempenho inferior ao do mercado geral, o que enfatiza a importância de reforçar a cooperação entre os colaboradores e as equipes para, assim, otimizar os processos e garantir a sustentabilidade do negócio.

Para Eliana Guglielmoni, gerente do Hay Group, o desenvolvimento e retenção de equipes eficazes de lideranças deve ser o principal foco de atuação dos hospitais associados à Anahp. “Com as ferramentas de gestão adequadas é possível fazer um benchmark das melhores práticas para desenvolver e reter líderes, equipes de liderança e outros talentos estratégicos que sejam fundamentais para sustentar o sucesso”, conclui Eliana.

O desafio para os hospitais privados é se aproximar cada vez mais dos resultados do mercado de alto desempenho. Para isso, é fundamental desenvolver líderes com habilidades em gestão de pessoas, para que conduzam suas equipes a um novo patamar de clima organizacional, com colaboradores mais satisfeitos e preparados.

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