Recursos humanos na velocidade da internet

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    Em plena crise brasileira, o comércio eletrônico tem se destacado pelo desempenho positivo dos negócios. E, entre as empresas do segmento, algumas chamam ainda mais a atenção. É o caso do Mercado Livre, que, de agosto de 2015 a agosto de 2016, incrementou em 38% sua equipe e agora conta com 1,2 mil colaboradores.

    Helen-Menezes-gerente-de-Recursos-Humanos-do-MercadoLivreFoi justamente em agosto de 2016 que a empresa inaugurou sua nova sede, na capital paulista, cuja obra de 17 mil m2 em um terreno de 33 mil m2, envolveu cerca de 1,5 mil profissionais, R$ 105 milhões em investimentos e instalações que não deixam nada a desejar às empresas do Vale do Silício, nos EUA. Eleita pelos próprios funcionários uma das três companhias mais amadas do Brasil no ranking de 2016 da rede online de carreiras Love Mondays, o Mercado Livre também figura na lista das Melhores Empresas para Você Trabalhar, da revista Você S/A. Para dar conta dessa performance, a área de recursos humanos exerce papel estratégico, como explica, nesta entrevista, a gerente de RH Helen Menezes.

    O que faz o Mercado Livre navegar em mar tranquilo e com o vento a favor em um dos períodos mais turbulentos da história do país?
    O mercado de internet sempre viveu momentos diferentes dos demais mercados. Além disso, esta crise especificamente acontece em um período de mudança de comportamento do consumidor. As pessoas estão se habituando a comprar online; a internet já é a primeira opção de muitos. Com isso, o e-commerce se mantém em crescimento independentemente de crise econômica e tem potencial para crescer ainda mais, uma vez que o varejo online representa apenas 4% de todo o varejo brasileiro. O marketplace (shopping virtual), principal negócio do Mercado Livre, apresenta taxas ainda maiores de crescimento do que as lojas independentes graças à tecnologia que torna a experiência de compra do cliente cada vez melhor.

    O RH estava preparado para esse desempenho?
    Sem dúvida, foi um grande desafio. Mas um diferencial do Mercado Livre é ter o RH como área estratégica, o que facilita muito nosso envolvimento nos negócios. Como consequência, pudemos nos preparar aumentando o time e, depois, definindo as melhores estratégias para valorizar ainda mais nossos talentos internos, buscar novos talentos no mercado e revisitar nossas práticas de talent acquisition, por exemplo.

    Você está no Mercado Livre há dez anos. Como foi a evolução do RH na companhia?
    No início, éramos três pessoas, agora somos 16, divididas em áreas de expertises: talent acquisition; talent development; comunicação interna; clima e cultura; e rewards. Além disso, temos as estruturas de business partners para atender às nossas sete áreas de negócio e apoiar os 1,2 mil colaboradores em seu desenvolvimento. A evolução foi enorme e avalio que nesse período tomamos as decisões corretas para que hoje, com orgulho, possamos estar entre as 150 melhores empresas para trabalhar.

    Quais são os pontos críticos para o RH de uma empresa que cresce rapidamente?
    Mesmo com um RH bastante engajado, um desafio é equacionar o tempo necessário para o desenvolvimento de pessoas e a evolução do negócio, que é muito rápida. Nesse sentido, trabalhamos para que o desenvolvimento interno aconteça de maneira ágil e sustentável, valorizando e aproveitando ao máximo nossos talentos. Por outro lado, parte do nosso crescimento é decorrente de aquisições de empresas, como a KPL e o Axado, e também cabe ao RH trabalhar muito bem os aspectos culturais e a comunicação interna para garantir que a integração se dê da forma mais tranquila possível.

    Como você define a cultura organizacional do Mercado Livre?
    É uma empresa empreendedora e com uma política de comunicação de portas abertas. Temos muito forte nossos princípios culturais que são: empreendemos assumindo riscos; estamos em beta contínuo; competimos em equipe para ganhar; criamos valor para os usuários; executamos com excelência; damos o máximo e nos divertimos.

    Para ser RH de uma empresa com esse perfil que competências são necessárias?
    Antes de tudo, foi importante entender que a indústria de tecnologia é diferente, no sentido de ser extremamente dinâmica e com tomadas de decisão muito rápidas. A vivência profissional que eu já tinha ajudou, mas foi importante investir nas seguintes competências: visão estratégica junto às áreas de negócios; em inovação nas ações, políticas e práticas de RH, que foram mudadas algumas vezes ao longo destes anos; em uma comunicação efetiva com os diferentes públicos; e na liderança de times multidisciplinares.

    Na sua visão, como será o RH do futuro, de forma geral?
    O RH do futuro deverá estar cada vez mais habilitado para entender e atuar nas frentes de negócios de suas empresas e focado em prestar serviços que realmente agreguem valor às pessoas, sejam colaboradores, líderes, comunidade e outros públicos, atuando como facilitador e líder para garantir o sucesso dessas relações e as melhores experiências.

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