Reinventar-se com personalidade

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Cíntia Peres responde pelas áreas de Operações, Gestão e Recursos Humanos da Ideal Invest e integra o comitê de criação do CONARH 2015

Normalmente, a impressão que temos de nós mesmos é diferente daquela que o outro tem sobre nós, ou seja, são muitas percepções, de tal forma que um ser humano acaba se tornando vários em um só, pois cada pessoa enxerga a outra de maneira particular. Isso pode levar um indivíduo à loucura, pois este se perde sob a pressão de agradar a todos e passa a não saber quem é. Mas que diabos isso tem a ver com gerir pessoas em tempos de crise?

Tanto um profissional quanto uma empresa precisam ter personalidade e saber a que vieram, ainda mais em um período turbulento como o que atravessamos. Muito se tem ouvido falar sobre o cenário de crise e contenção em 2015. Apesar de as opiniões sobre o tema variarem bastante, é fato que, em cenários de incerteza, uma boa gestão dos investimentos – inclusive na gestão de desenvolvimento de pessoas – é fundamental. E, quando falamos de gestão, logo vem à mente a falsa ideia de que gerir é reduzir.

Primeiro, vamos corrigir esse equívoco: gerir é investir direito. Às vezes é reposicionar, em outras é diminuir, às vezes é colocar mais, outras é manter.

O foco da gestão é a produtividade: fazer mais com menos ou com o mesmo, valorizando e incentivando, mas não sobrecarregando seus talentos. De teoria simples e dizeres otimistas, sua execução é complexa e quase sempre chocante. Mas o fato é que a gestão é o alicerce de sucesso em qualquer tempo. Em crise, determina quem sobrevive.

O que mais se fala nesses momentos são frases como “reinvente-se”, “desenvolva e otimize recursos”, “pense fora da caixa” e por aí vai… Pedindo licença ao professor Paulo Vicente dos Santos Alves, vou utilizar uma expressão dele e que se encaixa perfeitamente nesse contexto: “Em momentos de crise não se pensa mais fora da caixa, porque não existe mais caixa, ela evaporou, e tudo aquilo que antes parecia impossível torna-se necessário”. E é assim que temos a oportunidade de realizar grandes transformações e quebras de paradigmas.

É fundamental reinventar-se, experimentar novas técnicas e ideias, melhorar processos continuamente, mas para isso não precisamos necessariamente abandonar nossos referenciais, nossa essência, aquilo que dá identidade à empresa.

Podemos abrir espaço para o novo, utilizando como base aquilo que dá sentido ao negócio e aos valores que sustentam a gestão dos negócios e das pessoas. Melhorar a produção é mudar o que está errado, mantendo o que está certo. Missão e valores conduzem as ações, os passos, e eles precisam ser mantidos para que a empresa não perca sua assinatura, seu jeito, sua cara. É preciso abandonar o dogma de que, para novos cenários, temos sempre que fazer grandes transformações e até abandonar nossa referência de valores, nossa identidade.

Entendo que faz parte do nosso papel e da nossa missão como profissionais procurarmos sempre ter conhecimento das novas e melhores práticas de mercado, repensar processos, ver como eles se adaptam e melhor atendem a empresa no cenário atual. Mas é fundamental saber aquilo que se é.

Para investir mais e melhor no que funciona e cortar o que não é bom, é fundamental viver os valores da empresa. Em tempos de crise, aqueles que não souberem quem são (empresas e profissionais) primeiro ficam loucos. Depois, falidos.

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