Religar pessoas Í  arte

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Marcos Nascimento / Crédito: Divulgação
Marcos Nasimento é partner na Manstrategy Consulting / Crédito: Divulgação

Certa vez, escutei de um dos meus mestres em gestão que a liderança organizacional é uma mescla de ciência e arte. Para meu deleite, ele continuou com uma definição mais interessante, dizendo que, ao final, um cientista não é “nada mais que um artista com método”.

A provocação é muito boa, pois nos faz refletir sobre a possibilidade real de estruturar minimamente uma abordagem em nossas instituições quando o tema é a gestão, o cuidar das pessoas. Minimamente porque todas as vezes que presenciei uma estruturação metodológica em gestão de pessoas, tudo se engessou, ficou artificial, sem vida, sem resultado. E esse mesmo mestre afirmava, já há alguns anos, que chegaríamos a um momento de tantos desafios, incertezas e complexidade a ponto de não termos mais “modelos”, fossem eles matemáticos, de produtos ou de processos.

Dada a velocidade e o estágio VUCA (sigla em inglês que se refere a um mundo cada vez mais vulnerável, incerto, complexo e ambíguo), o que teríamos seria uma sequência e frequência, sem precedentes, de “protótipos”, pois a velocidade com que se tornariam obsoletos seria imensurável. E, em minhas andanças corporativas, posso assegurar que chegamos a esse momento!

O que fazer então? Não há nada mais versátil e flexível e, também, estruturado, do que os conceitos que fundamentam a arte. Se isso é verdadeiro, por que não trazer uma mescla saudável de ciência e arte para a gestão de pessoas em um mundo VUCA? Nada nos impede, a não ser alguns paradigmas e modelos descontextualizados. Sim, aqueles modelos de empresas que queremos copiar por acreditarmos que funcionam perfeitamente.

Quer saber? Eles até funcionam perfeitamente. Mas funcionam lá, não funcionarão aqui. E esse é o perigo! O mundo como um todo, mas principalmente o organizacional, vive turbulento e os desafios existem em um espectro tão grande e diverso que muito provavelmente as questões que você enfrenta, no que tange à gestão de pessoas, têm um viés muito diferente de outras, pois acontecem, dessa forma, somente em sua organização.

E quando o tema é gestão da complexidade não há como deixar de citar Edgar Morin. Em sua obra O método, a palavra complexidade é tomada em seu sentido etimológico latino, ou seja, “aquilo que é tecido em conjunto”. O interessante é que Morin considera a incerteza e as contradições como parte da vida e da condição humana e, ao mesmo tempo, sugere a solidariedade e a ética como caminho para a religação dos seres e dos saberes.

Não podemos pensar de forma reducionista o momento em que estamos. O contexto atual nos demanda pensar de forma mais ampla. Talvez paire aí uma boa opção para lidarmos com as incertezas, os desafios e a tal complexidade na gestão de pessoas: religar as pessoas e seus saberes. Parece romântico, mas é pragmatismo na veia, pois considerar solidariedade e ética como ferramentas para gestão nos trará significado no que fazemos e, claro, melhores resultados!

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