Sob forte pressão

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Motta, da BMI: liderança essencial

Os stakeholders estão cada vez mais conscientes e exigentes, o que vem gerando mudanças representativas na forma com que as empresas lidam com a sociedade, acionistas, funcionários e clientes. Essa é a percepção de 88% dos CEOs ouvidos em um levantamento feito pela Brazilian Management Institute (BMI) em parceria com a Toledo & Associados.

O estudo, que ouviu 100 executivos de C-level de empresas da indústria, varejo e serviços durante o primeiro semestre deste ano, mostra ainda que, para 45% dos profissionais, o desenvolvimento de lideranças é primordial para liderar na crise, mas 84% deles admitem que o processo de desenvolvimento de lideranças em suas empresas precisa ser aprimorado.

Ainda de acordo com a pesquisa, 35% não estão satisfeitos com o engajamento das atuais equipes. Investir em treinamentos específicos dos líderes, cobrando senso de responsabilidade destes, e no processo de inovação e criatividade das equipes, estão entre as medidas que, de acordo com os entrevistados, podem ser tomadas para melhorar esse quadro.

A grande maioria dos entrevistados (96%) – sendo 41 presidentes, 30 vice-presidentes e 29 diretores de médias e grandes empresas – concorda também que as mudanças nos ambientes econômico e de negócios, tecnológico e social têm afetado o papel da liderança dentro das empresas. Porém, 83% acreditam que o impacto dessas mudanças é positivo.

Entre as principais razões dessa percepção positiva está o próprio cenário adverso, que os faz sair da zona de conforto para uma atualização constante, inovando, criando e mudando. Outras consequências percebidas como benéficas são a necessidade de os líderes adotarem uma postura coparticipativa e mais horizontal, o aumento do padrão de qualidade de produtos e serviços e o ganho de flexibilidade das empresas para atender à velocidade da informação.
 

Autômato versus essencial

De acordo com Daniel Motta, fundador e CEO da BMI, todos os executivos são unânimes em apontar que a situação atual é o momento para ajustes, controlar custos, aumentar produtividade, comunicar mais, investir em treinamentos e buscar ideias novas.

Para isso, segundo Motta, é preciso adotar um novo modelo de gestão. “Para comandar suas equipes na crise, os líderes precisam deixar de ter um perfil ‘autômato’, focado em controle, comando e hierarquia, e dar lugar ao líder ‘essencial’, que atua de forma colaborativa, mobilizadora e facilitadora, inspirando seus liderados, criando relações que ajudam as pessoas a encontrarem significado e propósito nas atividades que desenvolvem”, afirma.

A pesquisa aponta que esse nível de consciência já chegou às organizações entrevistadas: 60% dos gestores afirmam que as mudanças econômicas, sociais, demográficas e tecnológicas estão sendo incorporadas, dentro do conceito de missão e valores das empresas, melhorando a comunicação (disseminando com feedbacks), buscando profissionais mais qualificados com foco na gestão humanizada, incentivando a criatividade e inovação e preparando lideranças (treinamentos, reuniões).

Essa mudança se dá lado a lado com a percepção de que os stakeholders, de maneira geral, estão cada vez mais conscientes e exigentes. A cobrança maior continua sendo a dos acionistas, por mais resultados em prazos e custos menores. Há, também, a obrigação de ser transparente para a sociedade, inclusive em questões ambientais. Já os funcionários têm exigido desenvolvimento, treinamento e compartilhamento de informações.

“Sendo assim, é natural que 30% dos entrevistados tenham escolhido como sendo primordial para sua gestão em 2015 investir na formação de líderes. Em seguida vem a capacidade de inovar, mencionada por 25%, conquistar novos clientes e fidelizar atuais (22%), e aumentar a produtividade (21%)”, explica o CEO da BMI.

Já para aprimorar o processo de desenvolvimento de liderança dentro das empresas, os principais desafios listados pelos líderes são a capacidade de engajar os liderados, envolvendo e motivando as equipes; a mudança de postura dos líderes, a fim de se adaptarem ao contexto de constantes mudanças; a sucessão e formação de novos líderes com treinamento e qualificação contínua; e a necessidade de o líder sair do papel operacional para se envolver na gestão de pessoas.

“Tudo isso aponta para o conceito que vimos defendendo de liderança essencial. O líder essencial tem de saber ‘ser’ – admirado, servir de exemplo, ser transparente, ético – e ao mesmo tempo ‘atuar’ – delegar responsabilidades, dando autonomia e acompanhando, estando próximo da equipe, sendo coparticipativo – para poder ‘construir’ – trabalhar as habilidades extraindo o potencial de cada profissional, cobrando resultado”, finaliza Motta.

O que eles dizem (e sentem) 
â–º Para 45%, o desenvolvimento de lideranças é primordial para liderar na crise.

â–º Mas uma boa parte (84%) admite que o processo de desenvolvimento de lideranças em suas empresas precisa ser aprimorado.

â–º E 30% escolheram como prioridade para 2015 investir na formação de líderes.

â–º 35% não estão satisfeitos com o engajamento das atuais equipes.

â–º Para 96%, as mudanças nos ambientes econômico e de negócios, tecnológico e social têm afetado o papel da liderança dentro das empresas.

â–º Mas 83% acreditam que isso é algo positivo.

â–º 60% afirmam que as mudanças econômicas, sociais, demográficas e tecnológicas estão sendo incorporadas, dentro do conceito de missão e valores das empresas.

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