Visão mais abrangente

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Marly, do Laboratório Sabin: investimentos no in company e em cursos abertos

Permitir que o profissional tenha uma visão de negócios mais ampla e que contemple todas as áreas da empresa. Esse é, na opinião de 69% de executivos de RH ouvidos pela Robert Half, um dos resultados propiciados pelos cursos de MBA. O levantamento, que contou com  a participação de 70 profissionais responsáveis por áreas de gestão de pessoas no Brasil, mostra, ainda, que esses cursos oferecem oportunidades de networking aprofundado e troca de experiências com profissionais diferentes – o que permite agregar mais conhecimento ao executivo-aluno e, consequentemente, à organização da qual ele faz parte.

Oferecendo benefícios para os dois lados, percebe-se que investir nessa formação, mesmo em tempos turbulentos como os atuais, trata-se de uma ação estratégica. E há outro fator nessa equação, como lembra Marly Vidal, diretora administrativa e de pessoas do Laboratório Sabin: especialistas já defendem que determinados conhecimentos têm uma vida útil de 18 meses. Ou seja, passado esse tempo, ou tornam-se obsoletos ou são suplantados por outro.

Pensando nessas vantagens e na perecibilidade do conhecimento, desde o fim do ano passado o Laboratório Sabin tem oferecido um MBA in company para seus colaboradores. A ideia é, com essa iniciativa, elevar a qualidade dos programas de desenvolvimento da empresa e, ainda, contribuir na formação desses profissionais que, em alguns casos, não conseguiam discutir sua realidade profissional em cursos abertos ou não conseguiam aplicar na prática o que aprendiam.

Apesar de ainda não ter sido concluído, o curso, na avaliação da diretora administrativa e de pessoas do Laboratório Sabin, já traz alguns bons resultados. “Realizamos uma pesquisa com os participantes e pedimos que eles relatassem quais conhecimentos já estavam sendo aplicados e que mudanças poderiam ser citadas”, conta Marly. Nas respostas, a empresa contabilizou mais de 40 menções contendo resultados e mudanças na atuação no dia a dia.

De acordo com a executiva, três resultados se destacaram entre os relatos: (1) a melhoria na habilidade para dar feedback para a equipe e, consequentemente, a melhoria na performance do grupo; (2) a capacidade do líder em atuar de forma mais inovadora, buscando soluções para os problemas; (3) a habilidade de comunicação, em especial a capacidade dos líderes de realizarem reuniões de apresentação de resultados (indicadores) com maior eficiência e clareza.

Outro resultado gerado pelo curso tem sido a formação de uma rede de relacionamentos entre os profissionais. Marly conta que existem relatos sobre o estreitamento das relações com líderes de outros setores que resultaram numa melhoria dos trabalhos nos quais um setor depende do outro.

Funcionária do laboratório, Nislania Pereira diz que, até o momento, os professores estão voltados para interagir com a equipe com muita objetividade. Isso gera, na opinião dela, uma forte energia devido aos processos de ensino serem voltados para o cotidiano da empresa, tentando extrair o máximo de cada aluno. “Sinto, a cada encontro, melhorar a nossa performance cultural, com aplicações de novas técnicas adaptadas, utilizando a criatividade de uma forma muito enriquecedora devido à troca de experiências”, diz.

De acordo com Marly, o valor total de investimento do programa é em torno de R$ 1 milhão, sendo que desse total 50% são pagos pela empresa e 50% pelo colaborador.

Cursos abertos

Além do MBA in company, a empresa também oferece bolsas de estudo para programas dessa natureza. “Investimos em programas abertos, ou seja, turmas oferecidas pelo mercado. Normalmente, os cursos de MBA e pós-graduação abertos [que os funcionárfios cursam] são de outras especialidades, já que em gestão de negócios fizemos a opção pelo in company – o que permitiu a customização dentro das necessidades e gaps identificados no grupo de líderes da organização. Nos últimos três anos, além dos 80 participantes do MBA in company, tivemos outros 28 profissionais beneficiados com esse programa”, conta Marly.

Ela ressalta que os cursos de MBA e pós-graduação são programas voltados para desenvolver conhecimentos e competências específicas nos profissionais, mantendo-os atualizados e capazes de assumir novos desafios utilizando as ferramentas adquiridas nessas práticas de educação formal.

Para um funcionário ter acesso a esses cursos, é preciso atender a alguns requisitos definidos pela empresa. “Nosso critério é identificar as competências e conhecimentos de que a organização precisa para atingir seus resultados e depois oferecer essas oportunidades aos profissionais identificados”, conta a executiva. Assim, podem pleitear esses cursos os profissionais que sejam líderes potenciais ou especialistas e que tenham alta performance ou que estejam com um gap em alguma competência e conhecimento.

Além deles, também estão no grupo os profissionais com oportunidade de crescimento e capazes de assumir novas responsabilidades e desafios, especialmente novas oportunidades de cargos de liderança (seja devido ao crescimento da empresa ou para vagas de sucessão). Como eles, os profissionais que estejam alinhados à cultura da empresa e que tenham conduta exemplar, ou seja, demonstram um alinhamento com os valores do laboratório, também podem participar desses programas, bem como os profissionais com pelo menos dois anos de casa. “Vale lembrar que o curso deve estar relacionado à atuação atual ou futura (já identificada) do colaborador”, diz Marly.

Na Accor, critérios semelhantes também são usados para quem quer uma ajuda da empresa para cursar uma pós-graduação. Fernando Viriato, diretor de RH da Accor Hotels América do Sul, conta que essas regras incluem que o colaborador seja efetivo da empresa há, no mínimo, um ano e esteja ativo; que tenha interesse e necessidade de estudo para desempenhar sua atividade devidamente e que isso seja validado pela sua diretoria em conjunto com o RH responsável. “Outros dois pontos são levados em conta: que o nível de desempenho na função deva ter sido atingido plenamente na última avaliação de desempenho e haja uma indicação de superior imediato”, diz o executivo, lembrando que, além dessa política, há um programa global de gestão no setor de hospitalidade que é equivalente a um MBA.

A empresa firma parcerias com instituições de ensino para oferecer descontos aos funcionários. Atualmente, 16 instituições mantêm parcerias para cursos de graduação, pós-graduação e/ou idiomas e a média é um desconto de 25%. Hoje, seis colaboradores cursam um MBA.

Investimentos

Para o ano que vem, o laboratório pretende manter os investimentos em bolsas nos cursos de pós e MBA abertos e no programa in company. E em outras iniciativas e modalidades também. “Uma das grandes tendências é a educação a distância, em que focaremos nosso investimento. O MBA in company ainda estará em andamento em 2016 e os participantes iniciarão seus projetos empresariais. E com os novos desafios e estratégias desenhados, identificaremos outras competências que deverão ser desenvolvidas. Isso significa que novos cursos deverão ser mapeados. Inclusive realizamos um mapeamento com 60 pessoas para identificar quais competências e conhecimentos serão necessários para a empresa e para os profissionais do futuro, e após esse mapeamento já poderemos preparar programas de aprendizagem que permitam o desenvolvimento dessas habilidades”, conta.

Na Accor, sobre a perspectiva de investimento nesses cursos para 2016, Viriato comenta que a empresa faz um levantamento de necessidades e que ainda não havia fechado esse trabalho para o próximo ano. “A Accor Hotels tem um plano de expansão, pois possui cerca de 150 hotéis em projetos ou construção que deverão entrar em operação nos próximos três anos. O objetivo é atingir a meta de 500 hotéis sob administração na América do Sul até 2018.  Dessa forma, nosso investimento no desenvolvimento de nossas pessoas se mantém estável  para possibilitar o crescimento da rede”, diz.

Para ele, a educação forma as pessoas, que são a base e a finalidade das organizações e da sociedade. “Essa crença nas pessoas está na raiz dos valores e da cultura da nossa empresa. O grupo, hoje, vive uma dinâmica de desenvolvimento acelerado e de transformação em nossa região.  E a nossa experiência tem demonstrado que investir em educação traz um excelente retorno para clientes, investidores, colaboradores, acionistas e a comunidade”, diz.

Para evoluir na carreira 
Os 70 executivos de RH entrevistados pela Robert Half deram conselhos aos profissionais que desejam investir em um MBA com a expectativa de evoluir na carreira. Confira abaixo as principais dicas:

â–º O MBA é fundamental depois que o profissional já tem certa profundidade e maturidade na área para que o curso possa contribuir para a evolução na carreira.

â–º Escolha um curso mais generalista que lhe permita ser um profissional mais flexível para trabalhar em diversos setores do negócio.

â–º Busque analisar o conteúdo e a instituição para não cair no conceito somente do título pelo currículo.

â–º Busque o inglês antes de fazer um MBA.

â–º Não se limite à aquisição de teoria e conteúdo. Combine isso com troca de experiências para potencializar a performance, tanto no resultado quanto no comportamento.

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